Às vésperas do início do Campeonato Paulista, o mapa do futebol estadual revela um contraste marcante entre passado e presente. Escudos que já desafiaram os grandes, levantaram taças nacionais e frequentaram decisões históricas hoje aparecem distantes da elite. São Caetano, Santo André, Paulista de Jundiaí, Juventus e União São João iniciam mais um ano longe do protagonismo que um dia ajudaram a construir no futebol paulista e brasileiro.
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O caso mais emblemático talvez seja o do São Caetano. Fundado no fim dos anos 1980, o Azulão viveu uma ascensão meteórica nos anos 1990 e início dos 2000, chegando a finais de Campeonato Brasileiro e Libertadores e conquistando o Paulistão de 2004. A partir da metade da década, porém, uma sequência de rebaixamentos e dificuldades financeiras empurrou o clube para as divisões inferiores, cenário em que hoje tenta se reconstruir na Série A4.
O Santo André percorreu um caminho diferente, mas com destino semelhante. Nascido no ABC paulista, o Ramalhão alcançou projeção nacional ao conquistar a Copa do Brasil de 2004, com uma campanha histórica que culminou no título sobre o Flamengo, no Maracanã. A façanha rendeu vaga na Libertadores, mas não foi suficiente para sustentar o clube no topo. Entre rebaixamentos nacionais e estaduais, o Santo André se estabilizou na Série A2, buscando equilíbrio financeiro e esportivo.
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Em Jundiaí, o Paulista simboliza a mistura de ousadia e instabilidade. Após apostar em parcerias empresariais e viver seu maior momento com o título da Copa do Brasil de 2005, o clube voltou a disputar a Libertadores e frequentar decisões estaduais. O fim dos investimentos, porém, abriu um longo período de declínio, culminando em sucessivos rebaixamentos. Hoje, o Galo tenta reencontrar relevância na Série A3.
O Juventus, da Mooca, segue como um caso singular. Mais do que títulos, construiu identidade e tradição, revelando jogadores históricos do futebol brasileiro e mantendo forte ligação com o bairro. Campeão da Taça de Prata em 1983 e conhecido por surpreender grandes adversários, o Moleque Travesso convive hoje com orçamento limitado e estrutura modesta na Série A2, sustentado pela memória afetiva de sua torcida.
Já o União São João representa a oscilação entre modernidade e colapso. Pioneiro no modelo de clube-empresa nos anos 1990 e revelador de talentos como Roberto Carlos, o time de Araras chegou à elite nacional e conquistou títulos importantes. Endividado, encerrou atividades profissionais em 2015, mas retomou o futebol nos últimos anos e atualmente tenta se reerguer na Série A3.
Em comum, esses clubes carregam histórias de pioneirismo, conquistas improváveis e decisões ousadas de gestão. Entre parcerias encerradas, estruturas defasadas e um calendário cada vez mais concentrado na elite, ficaram pelo caminho. No Paulistão de hoje, sobrevivem como símbolos de um passado glorioso e como lembrança de que, no futebol paulista, a distância entre o auge e o esquecimento pode ser curta.










Um comentário
Excelente análise!