A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) confirmou neste sábado (14) que os Grandes Prêmios do Bahrein e da Arábia Saudita, etapas da temporada 2026 da Fórmula 1 previstas para abril, não serão realizados. A decisão ocorre em meio à escalada militar no Oriente Médio envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, conflito que vem gerando instabilidade e riscos à segurança na região.
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Com o anúncio, o calendário da Fórmula 1 passa a contar, ao menos por enquanto, com 22 corridas na temporada, duas a menos que o previsto inicialmente. A entidade informou que as provas não serão substituídas de forma imediata e que não há corridas programadas para o mês de abril, algo que não acontecia desde 2020, quando a pandemia de Covid-19 paralisou o campeonato.
A confirmação foi divulgada enquanto o paddock da categoria está reunido em Xangai, na China, palco do Grande Prêmio realizado neste fim de semana.
Segundo a FIA, a decisão foi tomada após avaliações detalhadas sobre a situação de segurança no Oriente Médio. O conflito, iniciado em 28 de fevereiro, ganhou dimensão internacional após ofensivas militares envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã, seguidas por ataques retaliatórios que atingiram diferentes países da região.
Tanto o Bahrein quanto a Arábia Saudita, que receberiam as corridas da Fórmula 1 em abril, foram afetados diretamente por incidentes militares recentes. A proximidade de alvos estratégicos com áreas utilizadas pela categoria automobilística acendeu o alerta entre dirigentes e equipes.
No Bahrein, um míssil iraniano atingiu uma base da Marinha dos Estados Unidos situada a cerca de 30 quilômetros do Circuito Internacional de Sakhir, palco tradicional da corrida do país. O episódio levou ao cancelamento de um teste de pneus que seria realizado pela fabricante Pirelli.
Já na Arábia Saudita, a tensão se agravou após a queda de um projétil em uma área residencial na cidade de Al-Kharj, registrada no início de março. O incidente provocou as primeiras mortes no território saudita relacionadas ao conflito.

Diante desse cenário, a FIA decidiu que a realização das provas em abril não seria segura para equipes, pilotos, funcionários e público.
Calendário sofre mudança e abril fica sem corridas
Originalmente, o GP do Bahrein abriria o mês de abril, sendo disputado entre os dias 10 e 12 no circuito de Sakhir. Uma semana depois, entre 17 e 19, seria realizada a etapa da Arábia Saudita, nas ruas do circuito urbano de Jeddah.
Com o cancelamento das duas provas, o calendário da Fórmula 1 terá uma pausa inédita no quarto mês do ano, criando um intervalo maior entre as primeiras etapas da temporada e o retorno das corridas.
A próxima prova confirmada será apenas em 7 de junho, quando a categoria chega ao icônico circuito de Monte Carlo, em Mônaco, uma das corridas mais tradicionais do automobilismo mundial.
Nos bastidores da Fórmula 1, algumas alternativas chegaram a ser consideradas para preencher as vagas deixadas pelas corridas canceladas. Entre os circuitos avaliados estavam pistas tradicionais do calendário europeu, como Ímola, na Itália, Portimão, em Portugal, e Istambul, na Turquia.
Apesar das conversas iniciais, a falta de tempo para organização logística e adequação de estruturas impediu que essas opções avançassem. Organizar um Grande Prêmio envolve semanas de preparação, transporte de equipamentos e montagem de instalações técnicas complexas.
Assim, a decisão final foi manter o calendário reduzido por enquanto, sem incluir novas corridas no período originalmente destinado às etapas do Oriente Médio.
Impacto também atinge categorias de base
O cancelamento das corridas não afeta apenas a Fórmula 1. As categorias de formação ligadas à principal competição do automobilismo mundial também tiveram mudanças em seus cronogramas.
As etapas da Fórmula 2, Fórmula 3 e F1 Academy programadas para o mesmo período foram canceladas junto com os GPs principais.
A medida atinge diretamente jovens pilotos que disputam espaço nas categorias de acesso, incluindo nomes brasileiros como Rafael Câmara e Emmo Fittipaldi, que competem na Fórmula 2, além de Pedro Clerot e Fefo Barrichello, integrantes da Fórmula 3.
Além das corridas, testes coletivos previstos para ocorrer no Bahrein entre 25 e 27 de março também foram cancelados, interrompendo a preparação das equipes para o restante da temporada.
O presidente da Fórmula 1, Stefano Domenicali, afirmou que a decisão foi difícil, mas necessária diante do contexto geopolítico atual. Segundo o dirigente, a categoria permanece em diálogo com autoridades esportivas e promotores locais.
“Embora tenha sido uma decisão difícil, infelizmente é a escolha correta neste momento, considerando a situação atual no Oriente Médio. Gostaria de agradecer à FIA e aos promotores locais pelo apoio e compreensão. Esperamos retornar à região assim que as circunstâncias permitirem” declarou Domenicali.
Mesmo com os cancelamentos, a Fórmula 1 ainda tem duas corridas programadas para o Oriente Médio no fim da temporada de 2026. O calendário prevê o GP do Catar, marcado para 29 de novembro no circuito de Lusail, e o tradicional GP de Abu Dhabi, que encerra o campeonato em 6 de dezembro no circuito de Yas Marina, nos Emirados Árabes Unidos.
No entanto, dirigentes da categoria indicam que qualquer decisão sobre essas etapas dependerá da evolução do cenário político e militar na região.
Automobilismo já enfrentou interrupções recentes
A suspensão das etapas reforça como o calendário da Fórmula 1 tem sido impactado por eventos globais nos últimos anos. Nos últimos seis anos, a categoria já enfrentou cancelamentos provocados por diferentes crises, como a pandemia de Covid-19, conflitos regionais e até eventos climáticos extremos.
A própria FIA já havia tomado medidas semelhantes recentemente ao adiar a etapa do Catar do Campeonato Mundial de Endurance (WEC), prevista para ocorrer em Lusail no fim de março.
Diante das incertezas no Oriente Médio, a organização da Fórmula 1 segue monitorando a situação internacional enquanto mantém o restante do calendário em andamento, na expectativa de que a temporada possa prosseguir sem novas interrupções.









