Era pós-Ferguson já custou R$ 730 milhões ao Manchester United em trocas de técnicos

Desde a aposentadoria do lendário Sir Alex Ferguson, em 2013, o Manchester United vive uma instabilidade técnica que tem custado caro dentro e fora de campo. Somando multas rescisórias, indenizações contratuais e custos associados às trocas de comando, o clube inglês alcançará a marca de quase 100 milhões de libras, o equivalente a R$ 730,2 milhões, gastos apenas com mudanças no banco de reservas ao longo da última década.

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O valor aumenta com a demissão do português Ruben Amorim, confirmada nesta segunda-feira. O treinador terá direito a 10 milhões de libras (cerca de R$ 73,2 milhões) como compensação financeira pela rescisão antecipada de contrato, ampliando ainda mais a conta acumulada pelo clube desde a era pós-Ferguson.

A saída de Amorim representa mais do que apenas o pagamento da multa rescisória. Para tirá-lo do Sporting, em novembro de 2024, o United já havia desembolsado 11 milhões de libras. A isso se somam os salários pagos ao longo de sua passagem, estimados em mais de 6,5 milhões de libras por temporada. No total, a curta experiência do português em Old Trafford custará aproximadamente 28,5 milhões de libras, o que corresponde a R$ 208,1 milhões na cotação atual.

Segundo levantamento do jornal britânico The Telegraph, antes mesmo da saída de Amorim o clube já havia gasto 78 milhões de libras em indenizações relacionadas a treinadores e comissões técnicas desde 2013. O novo desligamento empurra o valor para um patamar histórico e simbólico, evidenciando a dificuldade do United em retomar a estabilidade esportiva.

Uma década de trocas no comando técnico

Desde a saída de Ferguson, o Manchester United passou por uma verdadeira rotatividade no cargo de treinador. Ao todo, foram dez nomes diferentes, entre técnicos efetivos e interinos, em pouco mais de dez anos:

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  • David Moyes (julho de 2013 a abril de 2014)
  • Ryan Giggs, interino (abril de 2014 a maio de 2014)
  • Louis van Gaal (julho de 2014 a maio de 2016)
  • José Mourinho (maio de 2016 a dezembro de 2018)
  • Ole Gunnar Solskjær (dezembro de 2018 a novembro de 2021)
  • Michael Carrick, interino (novembro de 2021 a dezembro de 2021)
  • Ralf Rangnick (dezembro de 2021 a maio de 2022)
  • Erik ten Hag (maio de 2022 a outubro de 2024)
  • Ruud van Nistelrooy, interino (outubro de 2024 a novembro de 2024)
  • Ruben Amorim (novembro de 2024 a janeiro de 2026)

Entre os casos mais onerosos está o do português José Mourinho, que recebeu quase 20 milhões de libras ao deixar o clube em 2018. Já a demissão do holandês Erik ten Hag custou cerca de 10,4 milhões de libras aos cofres do United.

O The Telegraph também inclui nessa conta a passagem do diretor esportivo Dan Ashworth, cuja contratação e posterior saída geraram um custo estimado em 7,1 milhões de libras.

Dentro de campo, os números de Ruben Amorim ajudam a explicar a decisão da diretoria. O português comandou o Manchester United em 63 partidas oficiais, com 24 vitórias, 18 empates e 21 derrotas, sem conquistar títulos. O aproveitamento de 36,9% é o pior registrado por um treinador do clube desde a saída de Alex Ferguson, um dado que reforçou a pressão por mudanças.

Solskjær surge como opção para o comando interino

Com a vaga aberta, a diretoria já avalia alternativas para o curto prazo. Segundo informações do jornal The Guardian, o norueguês Ole Gunnar Solskjær desponta como principal candidato para assumir o time de forma interina. A decisão estaria sendo analisada pelo diretor de futebol Jason Wilcox.

Ainda de acordo com a publicação, Solskjær vê com bons olhos um retorno a Old Trafford e teria o apoio de líderes do elenco, como o zagueiro Harry Maguire e o meia Bruno Fernandes. O clube, inclusive, já teria feito contatos iniciais com o treinador norueguês.

Enquanto define os próximos passos, o Manchester United segue convivendo com os reflexos esportivos e financeiros de uma década marcada por decisões instáveis, altos investimentos e resultados aquém da tradição construída sob o comando de Sir Alex Ferguson.

Autor

  • Nicolas Pedrosa

    Jornalista formado pela UNIP, com experiência em TV, rádio, podcasts e assessoria de imprensa, especialmente na área da saúde. Atuou na Prefeitura de São Vicente durante a pandemia e atualmente gerencia a comunicação da Caixa de Saúde e Pecúlio de São Vicente. Apaixonado por leitura e escrita, desenvolvo livros que abordam temas sociais e histórias de superação, unindo técnica e sensibilidade narrativa.

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