Em coletiva de imprensa, após a derrota do Vasco sob o Corinthians pela final da Copa do Brasil. O técnico Fernando Diniz lamentou e analisou o desempenho do Gigante da Colina e achou respeitável a campanha do Vasco da Gama na competição.
Diniz comentou sobre a postura do Vasco da Gama, ressaltando que o time jogou melhor durante o segundo tempo, mas, que os erros individuais decidiram a final:
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“No primeiro tempo, foi um jogo um pouco mais equilibrado, tivemos controle da situação. No segundo tempo, quando voltamos bem melhores que o Corinthians, em que estávamos muito mais próximos de fazer o gol do que de tomar, tivemos um descuido de marcação. A bola que era nossa, perdemos. Podíamos ter roubado a bola, feito a falta. Não fizemos e acabamos tomando o segundo gol. O time foi muito valente, insistiu muito.”
“Tirando o placar final do jogo, por qualquer olhar que você queira analisar a partida, fomos superiores ao Corinthians. Tanto no primeiro jogo em Itaquera, como no jogo de hoje. Tivemos o triplo de finalizações, 44 entradas no último terço e eles entraram nove no nosso. Números de escanteio, finalizações, posse. Infelizmente, não conseguimos fazer o gol que ao menos levava para os pênaltis. Fica um sabor de tristeza pela não conquista do título. Ao mesmo tempo, um sinal positivo de que o time lutou e, para mim, representou bem a camisa do Vasco.”
Em outra pergunta, Diniz comentou que o ano do Vasco foi debaixo de bastante pressão contra rebaixamento, Copa do Brasil e pelo título. Mas, que o Vasco planeja manter a base do elenco e que o Vasco busca se acostumar a jogar novas finais de campeonatos, ressaltando os bons momentos do Vasco:
“É um desafio para nós. Esses jogos de maior mobilização, que você sabe que não tem margem… o Vasco também quando teve no Brasileiro momentos de ou ganha ou vai ter problemas, como foi contra o Inter, quando estávamos lá em baixo e começou a série de vitórias jogando contra Bahia, Cruzeiro… o time soube fazer. Não temos que ficar sob pressão para jogar bem. O Campeonato Brasileiro de pontos corridos, toda partida é uma final. É assim que funciona. É um time que acho que está aprendendo. O Vasco já vem de um tempo fazendo campanhas que ficam meio que flertando sempre com a parte de baixo da tabela. Isso é algo que precisamos trabalhar para flertar e ficar na parte de cima. Esse é o aprendizado. Nas copas tivemos um nível de concentração e atuação, se compararmos com o Brasileiro, bem melhor.”
“A gente vai fazer uma análise e um balanço geral de tudo que aconteceu na temporada. Vamos ter um pouco de tempo para avaliar. Vou repetir o que disse, que as pessoas às vezes pegam falas soltas para deturpar. Esse Vasco que eu dirijo está aprendendo a ser grande. Hoje foi mais um passo. Jogou como um time grande, do tamanho do Vasco, mas não conseguiu levantar o título. Mas o time, em condições normais, se joga como jogou hoje, na maioria das vezes vai ganhar. Ao longo desse processo o time foi ganhando estima, aprendendo a valorizar a camisa do Vasco e entregar coisas positivas para a torcida. Teve momentos brilhantes, momentos ruins nessa minha passagem aqui. Na temporada que vem acredito que a consistência seja uma meta a buscar. Ser um time que joga em nível alto constantemente para fazer uma temporada melhor que essa que terminamos hoje.”
“Acho que nessa construção nova do Vasco, é um aprendizado de começar a decidir títulos importantes e ter grandeza para ser grande como o Vasco é grande. É um time que está aprendendo isso. A gente vai seguir esse caminho, perseverar para que no ano que vem ter consistência e conseguir fazer outras finais. É importante o Vasco todo ano disputar grandes finais, competições importantes e fazer grandes jogos como hoje. Teve gente que hoje pela primeira vez foi titular para 70 mil pessoas decidindo um título tão importante como a Copa do Brasil. Seguindo esse caminho vamos ficar cada vez mais fortes e se aproximar de ganhar títulos grandes. A gente tem uma base. Vamos conversar nos próximos dias de maneira detalhada, mas já temos uma base de planejamento de como vai ser janeiro, que será o mais crucial nesse início.”
Fernando Diniz também rebateu as críticas direcionadas a Léo Jardim e comentou o futuro de Rayan. O técnico vascaíno chegou a pedir que seu arqueiro defenda a Seleção Brasileira:
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“Rayan obviamente faz parte de maneira central. É um dos grandes pilares do meu trabalho aqui. Pouca gente tem um Rayan. É um jogador que decidiu muitos jogos e a tendência é crescimento. Ele está se descobrindo. Se o Rayan fosse meu filho, eu falaria para ficar no Vasco mais um tempo. Se sair no fim do ano que vem vai sair com 20 anos, novo de qualquer jeito. E ia sair com um jeito de jogar mais consolidado, provavelmente com convocação para a seleção. Sai mais forte para o mercado externo, deve ser o europeu. Iria com mais chances de se manter e construir uma carreira bonita por lá. É um jogador muito especial, completo e que repito, está no começo da sua autodescoberta. É um cara que tem todas as qualidades que um jogador que precisa ter, principalmente um atacante. É grande, rápido, técnico, habilidoso, canhoto, muito preciso no chute, está cabeceando cada vez melhor. O que precisa é conseguir ser consistente e gostar do imenso potencial que tem e colocar para fora. Porque é uma joia muito rara.“
“Não é que faltou comunicação (na hora do gol). Erros acontecem. É difícil falar. O Léo , para mim, é um dos postulantes a ir para a Copa do Mundo. Ele está cada vez melhor com os pés, faz milagres, não fica fora de treino. Ele teve que tomar uma decisão em poucos segundos. Ele é o goleiro que mais tem que fazer coberturas dos zagueiros e acertou a maioria durante o ano. O lance era difícil de ajustar. Para a bola chegar no gol nós falhamos coisas que fomos impecáveis em Itaquera. Tomamos duas inversões de corredor e não fizemos o retorno defensivo achando que não iria acontecer. Eles tentaram fazer isso nas costas do Puma antes. Na hora de sair (do gol), é um calculo. É fácil falar vendo da televisão, é difícil na hora do lance.“
Fernando Diniz não segurou as críticas ao árbitro Wilton Pereira Sampaio, ressaltando que o árbitro fez um “Programa de Entrevistas”:
“Eu nem sabia que tinha expulso. Eu fui expulso? Ele (Wilton) estava mais entrevistando os jogadores do que apitando. Ninguém cobra. Eu falei isso para ele e vai estar na súmula porque acho que ele não é mentiroso. Falei que não era programa de entrevista, era para ter de jogo. Toda hora que tinha bola parada ele conversava. Ele picotou o jogo todo, o Corinthians fez cera o jogo todo e ele não deu um amarelo. Não ter jogo para ele é bom porque ele fica com menos chance de errar. Toda bola parada o Corinthians demorava para bater e ele chamava capitão, conversava… Ele conversou muito mais que apitou. Como que vai ajudar? Para ajudar, tem que ter jogo. Independente de estar ganhando ou empatando. Os critérios são totalmente opostos. Se pegar a arbitragem do Claus contra o Fluminense parece que são árbitros de outros países. O gol do Vegetti (contra o Fluminense) provavelmente hoje não aconteceria. Ele não queria jogo.“
Por fim, Diniz falou abertamente com a torcida vascaína e negou que o cenário para o Vasco seja ruim, mas, que ainda existe muito trabalho pela frente:
“O que machuca o torcedor é mentir. O cenário não é pessimista. O time fez final de Copa do Brasil, teve momentos importantes, está se reconstruindo. Mentir para o torcedor, onerar o clube, fazer dívidas… o Vasco está assim por dívidas do passado. O que fere o torcedor é não ter time competitivo. O time hoje é competitivo. Precisa melhorar dentro da condição. Não é que é um cenário pessimista, é o cenário real. Como que falo que vai contratar jogador por 25, 30 milhões de euros hoje? Se conseguimos segurar o Rayan, temos que dar graças a deus. Porque se vender, não vamos contratar outro. O Rayan hoje deve valer 40 milhões de euros. Como vamos contratar um jogador de 40 milhões de euros?”
Temos que trabalhar muito, tentar acertar pontualmente em contratações como fizemos no meio do ano, participaram Adhemar, Felipe que é uma das pessoas que me ajuda aqui. Felipe é uma das pessoas mais importantes do Vasco e se fala pouco. Foi uma grande janela, muito sacrificante e também demos sorte. Fomos criticados, porque a torcida quer contratação. Mas assim temos mais chance de acertar. Temos menos condições do que o Flamengo, Botafogo ou até o Fluminense que está um pouco mais organizado. O que temos é que trabalhar muito, com pé no chão, e procurar fazer o melhor possível. Tiramos essa diferença de quase ter um título importante no trabalho dentro e fora do campo. Terminamos a temporada sem ninguém no DM tirando as lesões traumáticas, de cirurgia. Mateus Carvalho, Jair, Piton que não é cirúrgico mas teve entorse importante no joelho e Adson que teve fratura. Fora eles todos estavam em condições. É um departamento de fisiologia que funciona muito. A parte de gestão, logística, viagens funcionam bem. E o Pedrinho vocês já sabem. É o que mais trabalha e mais se expõe para ajudar o Vasco. Mas não tem milagre. Alguém tem suspeita que é honesto? Que ama o Vasco? É um cara que disponibiliza seus bens pessoais para ser presidente do Vasco. Todos da diretoria são apaixonados e não ganham dinheiro com o Vasco. Tiram o tempo deles e estão ajudando. Tenho a maior alegria de fazer parte disso. O Vasco não tem mais dinheiro, mas é um lugar que tem profundidade, boa vontade, honestidade e acredito nesse trabalho. Obviamente que se tiver mais recursos financeiros, ajuda todo mundo. Porque o futebol é feito de grana, todo mundo sabe disso.









