A troca no comando técnico do Clube de Regatas do Flamengo foi mais rápida, e mais planejada, do que aparentava. Leonardo Jardim já tinha acordo encaminhado com o clube antes mesmo de Filipe Luís ser comunicado oficialmente da demissão, na madrugada desta terça-feira (3).
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A negociação foi conduzida pelo presidente Luiz Eduardo Baptista, o Bap, e pelo diretor de futebol José Boto, que iniciaram as conversas com o treinador português ainda na sexta-feira (27), após a derrota na Recopa. O acerto foi concluído no fim de semana, selado na segunda-feira (02), independentemente do resultado da goleada por 8 a 0 sobre o Madureira.
Embora a vitória elástica no Estadual tenha amenizado o ambiente externo, a diretoria já havia definido que Filipe Luís não permaneceria no cargo. O treinador foi comunicado do desligamento no vestiário do Maracanã, após uma conversa breve, em clima de surpresa.
Internamente, o entendimento era de que o trabalho não evoluía na direção esperada pela cúpula do clube. O áudio vazado do presidente Bap reforçou essa percepção:
“Quando você pega um trem errado na vida, você sabe o que tem que fazer? Descer na primeira estação possível e retornar. Meu compromisso é com o Flamengo. Quando não acredito que estamos indo na direção adequada, eu tenho que atuar”, afirmou o dirigente.
A declaração escancarou que a decisão foi institucional e partiu diretamente da presidência, mesmo com resistências internas nos primeiros momentos da crise.
Leonardo Jardim já figurava como prioridade da diretoria desde dezembro de 2025, quando pediu demissão do Cruzeiro Esporte Clube alegando questões pessoais.
Na ocasião, o Flamengo enfrentava dificuldades na renovação contratual com Filipe Luís e sondou o treinador português. Jardim, porém, informou que não pretendia trabalhar naquele momento.
Na última semana, intermediários avisaram a Bap que o técnico estava disposto a retornar à ativa. A derrota para o Lanús funcionou como catalisador do processo, acelerando uma decisão que já vinha sendo amadurecida.
O presidente aproveitou a presença do treinador em Belo Horizonte para compromissos pessoais e agilizou as tratativas. José Boto ficou responsável por alinhar os detalhes finais.
Apesar de manter respeito da maior parte do elenco, Filipe Luís já não contava com o mesmo respaldo da diretoria. A condução das negociações de renovação contratual desagradou ao presidente, e o relacionamento entre ambos esfriou ao longo de 2026.
Um dos defensores da permanência do treinador, Boto também passou a adotar postura mais distante nos últimos dias. A decisão, no entanto, foi centralizada na presidência, segundo relatos internos.
A expectativa era que qualquer ruptura ocorresse apenas após a final do Campeonato Carioca contra o Fluminense Football Club, no próximo domingo. A antecipação surpreendeu parte do elenco e do próprio treinador.
Na coletiva após a goleada, Filipe Luís adotou discurso de despedida, ainda sem saber oficialmente da demissão:
“Independentemente do que aconteça, se amanhã eu não estiver aqui, o meu amor e o meu carinho pelo Flamengo sempre vão existir. Vivi os melhores anos da minha vida aqui”, declarou.
Poucas horas depois, a saída foi formalizada.
Leonardo Jardim chega ao Rio de Janeiro nesta terça-feira (03) para assinar contrato até o fim de 2027. A negociação avançou rapidamente porque os termos já haviam sido discutidos na tentativa frustrada de dezembro.
Os resultados negativos no início da temporada, incluindo derrotas na Supercopa e na Recopa, pesaram na avaliação final. No entanto, o fator determinante foi a disponibilidade do treinador português, considerado pela diretoria o nome ideal para comandar um novo ciclo.
Agora, o desafio será administrar o ambiente interno e recuperar a estabilidade esportiva às vésperas de decisões importantes na temporada.








