O Corinthians foi intimado pela Justiça de São Paulo a prestar esclarecimentos sobre uma divergência milionária em suas receitas declaradas dentro do Regime Centralizado de Execuções (RCE), mecanismo utilizado pelo clube para organizar o pagamento de dívidas.
De acordo com perícia anexada ao processo, o Corinthians informou ter recebido R$ 64,2 milhões em receitas no mês de fevereiro. No entanto, a análise do administrador judicial aponta que o valor real teria sido de R$ 213,4 milhões, o que gera uma diferença de R$ 149,2 milhões que não apareceram na declaração.
A inconsistência levantou alerta no processo, já que os valores informados ao RCE são fundamentais para definir quanto o clube deve destinar ao pagamento de credores.
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O RCE é um regime judicial que permite ao Corinthians centralizar e parcelar suas dívidas, evitando bloqueios diretos em contas. Em contrapartida, o clube precisa destinar uma parte de suas receitas para quitar débitos com credores.
Dessa forma, qualquer divergência nos valores declarados pode impactar diretamente o montante pago, o que motivou questionamentos por parte da Justiça e de envolvidos no processo.
Origem da diferença
Segundo o laudo pericial, a diferença de R$ 149,2 milhões estaria relacionada à exclusão de determinados valores da base de cálculo apresentada pelo clube. Entre eles:
- R$ 76,8 milhões classificados como operações financeiras;
- R$ 65,5 milhões referentes a transferências;
- R$ 6,8 milhões ligados à negociação de atletas.
Esses valores, embora tenham entrado nas contas do clube, não teriam sido considerados na declaração enviada ao RCE.
Posicionamento do Corinthians
O Corinthians nega irregularidades e afirma que não houve omissão de receitas. Segundo o clube, trata-se de uma divergência de interpretação contábil, já que os valores apontados não se enquadrariam como receitas operacionais obrigatórias dentro das regras do regime.
A diretoria sustenta que os dados foram apresentados de forma correta e que já prestou os devidos esclarecimentos à Justiça.

Risco de intervenção
Diante do caso, a Justiça determinou que o clube apresente explicações detalhadas. O processo também traz um alerta: caso as inconsistências não sejam esclarecidas de forma satisfatória, existe a possibilidade de medidas mais rígidas, como a nomeação de um interventor ou fiscal para acompanhar a gestão financeira.
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Cenário de pressão
A situação ocorre em um momento sensível, já que o Corinthians tenta estruturar o pagamento de suas dívidas por meio do RCE. O episódio aumenta a pressão sobre a diretoria e reforça a necessidade de transparência nas informações financeiras apresentadas ao Judiciário.
O caso segue em análise e pode ter desdobramentos importantes para a condução financeira do clube nos próximos meses.









