O Combinado Nórdico sempre foi fechado às mulheres, no entanto existem competições femininas na Copa do Mundo e no Campeonato Mundial de Combinado Nórdico.
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Annika Malacinski, 24, a esquiadora americana, de combinado nórdico, ainda sonha em se consagrar como atleta olímpica, na modalidade que já faz parte dos Jogos Olímpicos de Inverno desde sua primeira edição, em Chamonix-Mont-Blanc, em 1924.
Apenas assistir
A atleta infelizmente, assiste de fora, enquanto o seu irmão mais novo, Niklas, pode competir sem qualquer restrição. Mesmo assim, Annika, faz campanhas há anos para que possa se tornar atleta olímpica.
Disposta a conseguir a sua vaga, no esporte então já praticado por mulheres fora das Olimpíadas de Inverno, Malacinski, já formalizou duas propostas formais, sendo uma os organizadores dos Jogos da Itália (2026) e outra para os Jogos de Pequim (2022), as duas foram negadas.
O que diz as autoridades
O Comitê Olímpico Internacional (COI) afirma que a questão não se restringe às mulheres, mas envolve o esporte de maneira mais ampla, mencionando a baixa adesão de alguns países e a limitada audiência como fatores relevantes.
Na edição deste ano, 36 atletas disputarão a prova masculina na Itália — número inferior aos 55 competidores registrados em Pequim, em 2022.
O COI também destaca que esta será a edição dos Jogos de Inverno com maior equilíbrio de gênero já registrada: 47% dos participantes são mulheres, e 50 das 116 provas serão femininas. “Em termos gerais, alcançamos o equilíbrio de gênero”, declarou o porta-voz da entidade, Mark Adams.
Outro representante do comitê acrescentou que dados serão coletados para avaliar a modalidade visando os Jogos dos Alpes Franceses, em 2030. Segundo ele, caso o combinado nórdico permaneça no programa, as mulheres passarão a integrá-lo.
Gênero x Esporte
Já Malacinski contesta essa justificativa. Para ela, o número de atletas da modalidade é semelhante ao de outros esportes considerados de nicho. A atleta também demonstra preocupação com o fato de a permanência do combinado nórdico nas próximas Olimpíadas de Inverno depender do desempenho da competição masculina.
Em entrevista ao jornal britânico *The Guardian*, Malacinski afirmou que mais de 40 mulheres competem em alto nível e aguardam a oportunidade de disputar os Jogos Olímpicos. “O COI tenta resolver a questão da igualdade eliminando o combinado nórdico. Eles simplesmente querem retirar a modalidade”, declarou. “Não luto apenas pelas mulheres, mas pelo esporte como um todo.”
Ela disse que pretende apoiar o irmão durante as Olimpíadas, mas também aproveitará o evento para chamar atenção para a causa, exibindo cartazes e incentivando o público a acompanhar as transmissões pela televisão.
Há 3 anos atrás, atletas que participavam de uma etapa da Copa do Mundo protestaram contra a exclusão feminina dos Jogos desenhando barbas e bigodes no rosto. Elas também cruzaram os bastões de esqui formando um “X”, gesto que ganhou repercussão nas redes sociais com a hashtag #noeXception (“sem exceção”).
Billy Demong, que competiu no combinado nórdico em cinco edições dos Jogos de Inverno, classificou a decisão de não incluir a prova feminina na Itália como uma “tragédia” e “um dos maiores retrocessos contra a igualdade de gênero na história do movimento olímpico”, em declaração à agência Associated Press.
Em novembro, Malacinski publicou no Instagram que teve seu sonho olímpico frustrado. “Não por falta de capacidade, mas por causa do meu gênero”, escreveu. “Há anos, minhas companheiras e eu nos posicionamos, protestamos e lutamos pela chance de largar na mesma linha olímpica que os homens. Continuamos aqui, seguimos firmes e não vamos desistir.”









