O Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou uma mudança significativa nas regras para participação em competições femininas nos Jogos Olímpicos. A entidade passará a adotar um teste genético único para determinar a elegibilidade das atletas, medida que, na prática, exclui mulheres transgênero das disputas femininas e reacende o debate sobre inclusão, ciência e política no esporte.
A nova regra deve entrar em vigor a partir dos Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028 e estabelece que atletas serão submetidas, uma única vez na vida, a um exame para identificar a presença do gene SRY, associado ao cromossomo Y e ao desenvolvimento biológico masculino. Aquelas que apresentarem o gene não poderão competir na categoria feminina.
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A decisão marca uma ruptura com o modelo adotado pelo próprio COI nos últimos anos. Até então, o principal critério para a participação de mulheres trans estava relacionado aos níveis de testosterona.
Desde 2015, o COI permitia a participação de atletas trans desde que mantivessem níveis de testosterona abaixo de 10 nmol/L por pelo menos 12 meses antes da competição e também durante todo o período competitivo.
Antes disso, as regras eram ainda mais rígidas, exigindo cirurgia de redesignação sexual, reconhecimento legal de gênero e tratamento hormonal prolongado, critérios que foram posteriormente flexibilizados.
Esse modelo hormonal buscava equilibrar inclusão e competitividade, considerando que a testosterona seria um dos principais fatores de vantagem física no esporte de alto rendimento.
Ausência de evidências de vantagem e de títulos olímpicos
Apesar das discussões frequentes sobre possível vantagem competitiva, não há registro de mulheres trans campeãs olímpicas em provas individuais femininas.
O caso mais citado envolvendo atletas trans nos Jogos é o de Quinn, pessoa não-binária que conquistou medalha de ouro no futebol com o Canadá nos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020. No entanto, trata-se de um esporte coletivo e não de uma mulher trans competindo individualmente.
Outro nome que ganhou destaque foi o da halterofilista Laurel Hubbard, primeira mulher trans a disputar uma Olimpíada, mas que não conquistou medalha.
Dessa forma, até o momento, não há evidências concretas de domínio ou vantagem esportiva traduzida em conquistas olímpicas no cenário individual feminino.
Decisão amplia críticas sobre exclusão no esporte
A adoção de um critério genético universal é vista por especialistas e fãs de esporte como uma medida que ultrapassa o campo esportivo e entra no debate político e social. Isso porque a medida substitui um modelo baseado em desempenho e parâmetros hormonais por um critério biológico fixo, ignora a ausência de resultados que indiquem vantagem sistemática e restringe a participação de um grupo específico de atletas.
Além disso, a nova regra também pode impactar atletas com diferenças no desenvolvimento sexual (DSD), ampliando ainda mais o alcance da medida.
Justificativa do COI
O COI defende que a decisão tem como objetivo garantir a equidade nas competições femininas, argumentando que diferenças biológicas podem influenciar o desempenho esportivo em alto nível.
A entidade também busca padronizar regras, já que anteriormente cada federação internacional tinha autonomia para definir seus próprios critérios.
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Debate segue aberto
A mudança, no entanto, deve intensificar o debate global sobre inclusão no esporte. De um lado, entidades esportivas defendem critérios que garantam equilíbrio competitivo; de outro, especialistas e fãs de esporte apontam que medidas como essa podem reforçar a exclusão de atletas trans mesmo sem evidências concretas de vantagem esportiva.
Com a decisão, o COI estabelece um novo marco regulatório para o esporte olímpico, mas também coloca em evidência uma discussão que vai além das arenas esportivas, envolvendo ciência, direitos e políticas de inclusão.









