Apresentado oficialmente como novo treinador do São Paulo, Roger Machado iniciou sua trajetória no clube com um discurso direto: o Tricolor precisa voltar a pensar grande e disputar títulos. O técnico foi apresentado no fim da tarde desta terça-feira (10), no CT da Barra Funda, em São Paulo, e chega para substituir o argentino Hernán Crespo, demitido após resultados irregulares no início da temporada.
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Com contrato até o fim de 2026, Roger assume um time que ocupa as primeiras posições no início do Campeonato Brasileiro e terá pouco tempo para implementar suas ideias. Mesmo assim, demonstrou confiança ao afirmar que o projeto é ambicioso e que o clube deve manter viva a mentalidade vencedora.
“Um clube do tamanho do São Paulo precisa sempre olhar para o primeiro lugar. Uma das primeiras coisas que falei com os atletas é que temos o dever de manter a chama acesa da conquista de títulos”, declarou o treinador em sua primeira entrevista coletiva.
A estreia do novo comandante já tem data marcada. O São Paulo enfrenta a Chapecoense nesta quinta-feira, às 20h, no estádio do Canindé, também em São Paulo, pela quinta rodada do Brasileirão.
A chegada de Roger Machado ocorre poucos dias após a demissão de Hernán Crespo, decisão que gerou críticas entre torcedores e analistas. Antes de deixar o cargo, o argentino havia declarado que o objetivo do clube nesta temporada seria alcançar os tradicionais 45 pontos no Campeonato Brasileiro, marca normalmente associada à permanência na Série A.
A declaração foi vista por parte da torcida como um sinal de falta de ambição. Roger, por outro lado, fez questão de apresentar um discurso mais alinhado com a história do clube.
“Um clube grande precisa sempre mirar conquistas. Encontrei atletas muito disponíveis, com sede de aprendizado e vontade de vencer. Isso é algo que a gente percebe no olhar dos jogadores”, afirmou.
Nos bastidores, a contratação teve forte apoio do executivo de futebol Rui Costa, que já trabalhou com o treinador anteriormente. Os dois dividiram projetos no Grêmio, período em que Roger teve uma de suas passagens mais marcantes como técnico.
Desde que seu nome passou a ser cogitado para o cargo, parte da torcida são-paulina manifestou desconfiança nas redes sociais. O treinador, no entanto, demonstrou tranquilidade diante da reação inicial.
“Eu sei que preciso conquistar a confiança do torcedor. Isso acontece com trabalho e resultado. Sempre foi assim na minha carreira”, explicou.
Roger acredita que o estilo de jogo que pretende implementar pode ajudar nessa reconexão entre equipe e arquibancada.
“Quero que o torcedor se identifique com a forma que o time joga e tenha vontade de ir ao estádio. Não existe outra forma: é trabalho. Tenho certeza de que o torcedor vai me abraçar”, disse.
Ao falar sobre aspectos táticos, o treinador indicou que não pretende promover uma ruptura completa em relação ao trabalho anterior, mas pretende deixar sua marca na equipe.
Crespo utilizava com frequência uma linha de três zagueiros, enquanto Roger prefere sistemas com dois defensores centrais.
“Futebol se vence de várias formas. Estruturalmente tenho concepções um pouco diferentes do Crespo. Ele utilizava muito linha de três defensores, eu prefiro atuar com dois zagueiros”, explicou.
Segundo o treinador, sua proposta prioriza pressão alta, compactação e vocação ofensiva, características que, segundo ele, fazem parte da identidade histórica do São Paulo.
“Sempre me identifiquei com a forma como o São Paulo jogou ao longo da história: um futebol vistoso, que busca o gol”, afirmou.
Antes de chegar ao clube paulista, Roger Machado comandou o Internacional entre 2024 e 2025. No período, dirigiu a equipe em 75 partidas e conquistou 34 vitórias, mas acabou demitido após uma sequência negativa no Campeonato Brasileiro.
Mesmo assim, o treinador ressaltou que demissões fazem parte da rotina da profissão e evitou tratar o episódio como um fracasso.
“Que treinador não é demitido quando o trabalho perde fôlego? Isso acontece com todos. A virtude da chegada muitas vezes vira o defeito da saída”, comentou.
Durante a apresentação, Roger deixou claro que vê o desafio no São Paulo como um momento decisivo em sua trajetória profissional.
“Esse é um desafio de primeira prateleira. O São Paulo tem dimensão para grandes conquistas, e marcar história aqui pode me colocar em outro nível”, declarou.
O treinador também destacou que a carreira é construída no dia a dia de trabalho com jogadores e comissão técnica.
“Em 12 anos como treinador continuo recebendo propostas de grandes clubes. Isso acontece porque quem trabalha comigo conhece a qualidade do meu trabalho”, afirmou.
Apesar do discurso focado em títulos, Roger ressaltou que a construção de uma equipe competitiva exige tempo, adaptação e evolução constante.
Ele afirmou ter analisado detalhadamente o elenco antes de aceitar o convite e acredita que o grupo possui versatilidade para diferentes sistemas táticos.
“O elenco do São Paulo é equilibrado e permite várias formações. Há jogadores capazes de atuar em diferentes sistemas, o que amplia as possibilidades de trabalho”, explicou.
Agora, o desafio imediato será transformar o discurso em resultados dentro de campo.
“O que controla a carreira de um treinador é a qualidade do trabalho diário. Se fizermos isso bem, as conquistas serão consequência”, concluiu.









