Camisa 9, pressão e protagonismo: Gabigol inicia nova era no Santos

Gabriel Barbosa vive um dos capítulos mais simbólicos de sua carreira ao retornar ao Santos em 2026. Apresentado oficialmente nesta segunda-feira, na Vila Belmiro, o atacante de 29 anos volta ao clube onde foi formado após sete temporadas longe, assume a camisa 9 e se coloca à disposição para estrear já no próximo sábado (10), contra o Novorizontino, pelo Campeonato Paulista. Emprestado pelo Cruzeiro até o fim do ano, o jogador chega cercado de expectativa, emoção e com a missão de liderar um processo de reconstrução esportiva.

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O retorno de Gabigol não é apenas um reforço técnico. Trata-se de um movimento simbólico, histórico e estratégico, que reconecta o Santos a uma de suas principais identidades: revelar, perder e, eventualmente, reencontrar ídolos. Em um momento de transição institucional e esportiva, o clube aposta no peso da camisa, na memória afetiva da torcida e na experiência de um atacante acostumado a decisões.

A apresentação ocorreu em Santos (SP), diante de dirigentes, imprensa e torcedores, e foi marcada por um discurso fortemente emocional. Gabriel fez questão de reforçar que nunca se desligou do clube, mesmo quando defendeu outras camisas.

“Voltar talvez não seja a palavra certa. Eu nunca tirei essa camisa. Ela sempre esteve comigo, desde a infância. Voltar para casa é especial”, afirmou.

O atacante revelou que o desejo de retornar ao Santos já existia desde o ano anterior e que o timing finalmente se encaixou, tanto no aspecto profissional quanto no pessoal. A proximidade com a família, os amigos e o ambiente da Vila Belmiro pesaram diretamente na decisão.

“Estar em casa muda tudo. Quando algo dá errado, você vai para o colo da mãe. Isso não tem preço”, disse.

Um dos temas inevitáveis da coletiva foi o episódio ocorrido quando Gabigol ainda defendia o Cruzeiro, envolvendo uma discussão com um torcedor na Vila Belmiro. O atacante tratou o caso com naturalidade e minimizou qualquer ruído com a torcida.

“Isso faz parte do futebol. Eles estavam defendendo o Santos, como eu também sempre fiz. Foi algo pontual, com uma pessoa só”, explicou.

Segundo ele, a pressão não o assusta, pelo contrário. Gabriel afirmou que sempre rendeu melhor em ambientes de cobrança elevada, como o da Vila.

“Tem que ter pressão. O Santos é gigante. Quem veste essa camisa precisa entender isso”, declarou.

No campo esportivo, Gabigol garantiu estar em boas condições físicas e afirmou que a decisão sobre sua estreia cabe exclusivamente ao técnico Juan Pablo Vojvoda. A expectativa é que ele esteja entre os relacionados para o duelo contra o Novorizontino, no sábado, pela primeira rodada do Paulistão.

“Estou pronto. Me sinto muito bem. Treinei, descansei, estou inteiro”, disse.

O atacante elogiou o treinador argentino e destacou que o modelo de jogo proposto se encaixa em suas características. Pressão alta, posse de bola, ataque com muitos jogadores e liberdade de movimentação foram citados como pontos positivos.

“Esse estilo é o DNA do Santos. Não é só o camisa 9 parado na área. Eu quero participar, criar, dar assistências”, analisou.

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O reencontro com Neymar, 13 anos após dividirem a base do clube, foi tratado como um dos pontos centrais do projeto santista para 2026. Amigos dentro e fora de campo, os dois chegam com a missão de elevar o patamar técnico do elenco e servir como referência para os mais jovens.

Durante a apresentação, o presidente Marcelo Teixeira foi direto ao afirmar que o Santos trabalha com dois projetos prioritários: recolocar Neymar e Gabigol no radar da seleção brasileira para a Copa do Mundo.

“Queremos que você faça um grande semestre e volte a representar o Brasil”, afirmou o dirigente.

Gabigol, no entanto, adotou tom mais cauteloso ao falar de Seleção.

“Minha Seleção agora é o Santos. Se um dia voltar, será consequência”, disse.

Formado nas categorias de base do Peixe, Gabriel Barbosa é o quinto maior artilheiro do Santos no século XXI, com 84 gols em 210 jogos. Em 2018, foi o artilheiro do Campeonato Brasileiro, com 27 gols, antes de deixar o clube rumo à Europa.

Gabigol é apresentado no Santos – Foto: Mauricio De Souza/AGIF

Desde então, acumulou 174 gols em aproximadamente 24,7 mil minutos, mantendo média elevada mesmo em contextos distintos, como Flamengo e Cruzeiro. Os números ajudam a explicar a confiança da diretoria e a expectativa da torcida.

“Não sou um 9 fixo. Quero chegar aos 100 gols, mas também quero ajudar o time a vencer”, afirmou.

Gabigol reconheceu que o Santos vive um processo de reconstrução, mas reforçou que isso não pode servir como desculpa para baixar a exigência. Segundo ele, a Vila Belmiro precisa voltar a ser um ambiente hostil aos adversários.

“Aqui ninguém pode achar que vai ganhar da gente. Na Vila, não pode perder ponto”, enfatizou.

O atacante também destacou a importância do coletivo.

“Não é Neymar, não é Gabigol. É o time. Precisamos ser uma equipe forte”, concluiu.

Além do campo, Gabriel demonstrou interesse em projetos institucionais, como o futebol feminino, e reafirmou seu vínculo histórico com o clube. A escolha por usar “Gabriel B.” na camisa simboliza esse retorno às origens.

“Se estou voltando para casa, tem que ser como começou”, explicou.

Embora o contrato seja por empréstimo, o retorno de Gabigol ao Santos carrega um peso que ultrapassa a temporada. É um reencontro entre clube, torcida e ídolo em um momento de redefinição de identidade.

Com casa cheia, expectativa elevada e discurso de compromisso, Gabriel Barbosa inicia um novo capítulo na Vila Belmiro tentando transformar memória em presente e saudade em resultado.

Autor

  • Nicolas Pedrosa

    Jornalista formado pela UNIP, com experiência em TV, rádio, podcasts e assessoria de imprensa, especialmente na área da saúde. Atuou na Prefeitura de São Vicente durante a pandemia e atualmente gerencia a comunicação da Caixa de Saúde e Pecúlio de São Vicente. Apaixonado por leitura e escrita, desenvolvo livros que abordam temas sociais e histórias de superação, unindo técnica e sensibilidade narrativa.

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