O atacante Bruno Henrique, do Flamengo, tornou-se réu por estelionato na Justiça do Distrito Federal após decisão da Terceira Turma Criminal do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios. A decisão atendeu ao recurso do Ministério Público do DF e Territórios e ampliou as acusações contra o jogador, que já respondia por fraude em competição esportiva. O avanço do processo ocorre um dia após o atleta conquistar o título brasileiro com o Flamengo.
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Acusações retomadas pela Justiça
Segundo o MPDFT, Bruno Henrique teria informado previamente ao irmão, Wander Nunes Pinto Júnior, que receberia um cartão amarelo durante a partida entre Flamengo e Santos, pela 31ª rodada do Brasileirão de 2023, no Estádio Mané Garrincha. A informação teria sido usada para realizar apostas esportivas, configurando vantagem indevida.
As investigações apontam que o atacante atuou de forma deliberada para ser advertido no jogo, com o objetivo de beneficiar o esquema comandado pelo irmão. Em julho, a Justiça já havia tornado ambos réus por fraude esportiva, mas rejeitara a denúncia por estelionato. Com o recurso acatado agora, a acusação é restabelecida em sua totalidade.
Risco de pena e ampliação dos réus
Com a nova decisão, Bruno Henrique, seu irmão, sua cunhada e mais seis pessoas passam a responder também por estelionato, crime cuja pena varia de um a cinco anos de prisão. Já a acusação de fraude em competição esportiva prevê pena de dois a seis anos, além de multa.
A Terceira Turma reconheceu ainda a legitimidade da International Betting Integrity Agency para representar as casas de apostas envolvidas. Para o relator, desembargador Demétrius Gomes, a atuação tempestiva das empresas demonstra interesse na punição dos investigados.
O colegiado rejeitou o pedido do Ministério Público para fixação de uma fiança de dois milhões de reais, entendendo que o jogador não apresenta risco de fuga.
Esfera esportiva e julgamento no STJD
Antes do avanço do processo criminal, Bruno Henrique já havia sido julgado pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva. O STJD concluiu que o cartão amarelo contra o Santos foi premeditado e aplicou multa de cem mil reais ao atacante. O jogador não foi suspenso e foi absolvido em artigos que tratavam de intenção específica de beneficiar esquemas de apostas.
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Defesa reage e promete novo recurso
A defesa de Bruno Henrique criticou duramente a decisão. Em nota, o advogado Felipe Carvalho afirmou que recebeu com indignação a abertura da ação penal por estelionato e afirmou confiar em nova reversão da decisão nos tribunais superiores. A defesa sustenta que a denúncia é equivocada e contraria a decisão fundamentada da primeira instância.
Processo segue em tramitação
O caso segue agora para a fase de instrução penal, com o jogador tendo de responder simultaneamente às atividades esportivas e ao andamento do processo criminal. A acusação de estelionato, somada à de fraude esportiva, transforma o caso em um dos episódios mais relevantes envolvendo apostas ilegais e manipulação de resultados no futebol brasileiro nos últimos anos.









