A sétima rodada do Campeonato Brasileiro expôs um dado que tem preocupado dirigentes, profissionais e torcedores: a cada rodada disputada, um treinador perdeu o cargo. O número, considerado elevado mesmo para os padrões do futebol brasileiro, tem sido atribuído principalmente ao novo formato do calendário, que passou a mesclar competições estaduais com o próprio Brasileirão, reduzindo o tempo de adaptação das comissões técnicas.
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Nesse ambiente de pressão constante, decisões vêm sendo tomadas de forma acelerada, muitas vezes impulsionadas por resultados imediatos e contextos extracampo. A demissão mais recente foi a de Juan Pablo Vojvoda, que deixou o comando do Santos após a derrota por 2 a 1 para o Internacional, na Vila Belmiro. O desempenho irregular da equipe ao longo das últimas partidas já vinha sendo alvo de críticas, o que contribuiu para o desfecho.
O cenário atual reflete um campeonato em que o tempo para reação praticamente deixou de existir. Com jogos decisivos sendo disputados em sequência e pouco espaço para ajustes, treinadores passaram a conviver com um nível ainda mais elevado de cobrança.
Pressão interna, resultados e bastidores aceleram quedas
Entre os nomes que deixaram seus cargos nas primeiras rodadas, chama atenção a diversidade de contextos que levaram às demissões. O argentino Jorge Sampaoli não resistiu à pressão após um início ruim no campeonato estadual pelo Athletico-MG, com risco de rebaixamento ainda na competição regional.
Situação semelhante foi vivida por Fernando Diniz, que já vinha pressionado no Vasco desde a temporada anterior. A eliminação para o Fluminense na semifinal do campeonato carioca acabou sendo determinante para sua saída.
No Norte do país, o colombiano Juan Carlos Osorio deixou o Remo após a perda do título estadual para o Paysandu, somada a um início irregular no Brasileirão.
Já no caso de Felipe Luís, a demissão do Flamengo causou surpresa generalizada. Mesmo com respaldo de grande parte da torcida, o treinador deixou o cargo após aplicar uma goleada de 8 a 0 no Maracanã, em meio a relatos de desentendimentos internos com a diretoria.
No São Paulo, o argentino Hernán Crespo também foi desligado, apesar de um início considerado promissor no campeonato nacional. A decisão teria sido motivada por questões internas e divergências com a gestão do clube.
Já o Cruzeiro optou pela saída de Tite, mesmo após a conquista do campeonato estadual. O início abaixo das expectativas no Brasileirão pesou na decisão, especialmente diante do alto investimento feito no elenco.
Calendário apertado muda dinâmica e reduz tolerância
O principal fator apontado para esse cenário é o novo modelo de calendário adotado em 2026, que promoveu a sobreposição de competições estaduais com o Campeonato Brasileiro. A mudança encurtou o período de preparação e aumentou a sequência de jogos, dificultando a implementação de ideias táticas e a recuperação de resultados negativos.
Com menos tempo para treinos e ajustes, a avaliação do trabalho dos treinadores passou a ser feita quase exclusivamente com base nos resultados imediatos. Internamente, dirigentes têm adotado posturas mais rígidas, pressionados por desempenho esportivo e expectativas elevadas.
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Em um campeonato cada vez mais competitivo e imprevisível, a permanência no cargo passou a depender não apenas de resultados, mas também da capacidade de lidar com pressões externas e bastidores.









