Brasil alcançará sua 10ª participação nos Jogos Olímpicos de Inverno em Milano-Cortina 2026

O Brasil está prestes a fazer história nos Jogos Olímpicos de Inverno de Milano Cortina 2026, ao chegar à décima participação consecutiva no evento. Desde a estreia em Albertville 1992, o país tem consolidado sua presença nas disputas de neve e gelo, superando desafios e construindo uma trajetória marcada por evolução técnica, conquistas simbólicas e, agora, uma real expectativa de alcançar o melhor desempenho da história.

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Com a cota garantida no esqui cross-country masculino, conquistada durante o Mundial sub-23, o Brasil assegurou presença no evento que ocorrerá entre 6 e 22 de fevereiro de 2026, em diversas regiões da Itália. A meta da Confederação Brasileira de Desportos na Neve (CBDN) é clara: superar o recorde de atletas, que é de 13 competidores em Sochi 2014, e alcançar o melhor resultado individual do país, até então a 9ª colocação de Isabel Clark no snowboard cross em Turim 2006.

“Estamos vivendo o melhor momento dos esportes de inverno no Brasil. Nunca estivemos tão próximos de conquistar uma medalha inédita”, declarou um representante da CBDN.

O otimismo é justificado. Em 2024, o país fez história nos Jogos Olímpicos da Juventude de Gangwon, conquistando uma medalha, e viu Lucas Pinheiro Braathen e Nicole Silveira subirem ao pódio em etapas da Copa do Mundo de esqui alpino e skeleton, respectivamente.

Linha do tempo: a evolução do Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno

Albertville 1992: A estreia

A criação da Associação Brasileira de Ski (ABS) em 1989 abriu caminho para o Brasil participar pela primeira vez dos Jogos Olímpicos de Inverno. Sete atletas competiram no esqui alpino, todos convidados pela Federação Internacional de Esqui (FIS). Entre eles estavam Christian Lothar Munder, Robert Scott, Hans Egger, Fabio Igel, Sergio Schuler, Marcelo Apovian e Evelyn Schuler, a única mulher da equipe. Evelyn conquistou o melhor resultado, ficando em 40º lugar no slalom gigante.

Desfile do Brasil na Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno Albertville 1992 - Foto: Divulgação/CBDN
Desfile do Brasil na Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno Albertville 1992 – Foto: Divulgação/CBDN

“Aquele foi o primeiro passo. Não tínhamos estrutura, mas tínhamos vontade”, lembrou Marcelo Apovian, anos depois.

Lillehammer 1994: O representante solitário

Dois anos depois, apenas Christian Lothar Munder voltou a representar o país, competindo no downhill do esqui alpino. Nascido no Brasil e criado na Alemanha, ele terminou em 50º lugar, mantendo viva a presença brasileira no evento.

Nagano 1998: Persistência em solo japonês

Em 1998, o Brasil teve novamente apenas um atleta: Marcelo Apovian, que participou do Super-G e alcançou a 37ª posição, o melhor resultado brasileiro até então.

Salt Lake City 2002: O salto para os esportes de gelo

O verdadeiro crescimento começou em 2002, quando o Brasil estreou em múltiplas modalidades, levando 10 atletas em quatro esportes. Foi o início da era do bobsled e do luge, com nomes como Renato Mizoguchi e Ricardo Raschini, além da estreia no esqui cross-country com Franziska Becskehazy e Alexander Penna. O melhor resultado veio com o time de bobsled 4-men, na 27ª posição.

Turim 2006: O top 10 de Isabel Clark

Na última edição italiana, o Brasil brilhou com a estreia de Isabel Clark no snowboard cross, que conquistou o 9º lugar, até hoje o melhor desempenho brasileiro em Jogos Olímpicos de Inverno. A edição contou ainda com Mirella Arnhold e Nikolai Hentsch no esqui alpino e Jaqueline Mourão e Hélio Freitas no esqui cross-country.

“Foi uma sensação indescritível representar o Brasil e chegar tão longe”, afirmou Isabel Clark à época.

Vancouver 2010: Foco total na neve

O Brasil competiu apenas em esportes de neve, levando cinco atletas. Destaque novamente para Isabel Clark, que obteve a 19ª posição no snowboard cross. Jaqueline Mourão e Leandro Ribela representaram o país no esqui cross-country.

Sochi 2014: Recorde de delegação

A edição russa marcou um novo salto para o Brasil, com 13 atletas em sete modalidades, estabelecendo o recorde de participação. O país estreou em esportes como biatlo, esqui estilo livre, patinação artística e bobsled feminino. O melhor resultado veio, mais uma vez, com Isabel Clark, 14ª colocada no snowboard cross.

PyeongChang 2018: A conquista histórica na patinação artística

O Brasil levou nove atletas de cinco esportes. A patinadora Isadora Williams fez história ao se tornar a primeira sul-americana a avançar para o programa longo na disputa feminina, terminando em 24º lugar.

Beijing 2022: Brilho no trenó

Na China, o Brasil enviou 10 atletas de cinco esportes. As estreias de Nicole Silveira no skeleton e Sabrina Cass no esqui estilo livre (moguls) marcaram a edição. O bobsled brasileiro obteve o inédito top 20 no 4-men, e Nicole Silveira foi destaque ao alcançar o 13º lugar, o melhor resultado feminino do país na modalidade.

Nicole Silveira faz história em Beijing 2022, ficando em 13º no skeleton, sendo o melhor resultado do Brasil na modalidade - Foto: Alexander Castello Branco/COB
Nicole Silveira faz história em Beijing 2022, ficando em 13º no skeleton, sendo o melhor resultado do Brasil na modalidade – Foto: Alexander Castello Branco/COB

Rumo a Milano-Cortina 2026: O sonho da medalha

Com uma década de evolução contínua, o Brasil chega a Milano-Cortina 2026 com a delegação mais preparada da sua história. Além da experiência acumulada, o desempenho de atletas em competições internacionais mostra que a sonhada medalha olímpica de inverno pode estar mais próxima do que nunca.

“Nosso objetivo não é apenas participar. Queremos competir de igual para igual e mostrar que o Brasil também é potência no inverno”, reforçou a CBDN em nota.

De sete atletas em 1992 para uma delegação que pode superar 15 nomes em 2026, o país escreve um capítulo de superação, constância e ambição esportiva. A cada edição, o frio das montanhas se torna um pouco mais familiar para os brasileiros, e o sonho de ver a bandeira verde e amarela no pódio, cada vez mais quente.

Autor

  • Nicolas Pedrosa

    Jornalista formado pela UNIP, com experiência em TV, rádio, podcasts e assessoria de imprensa, especialmente na área da saúde. Atuou na Prefeitura de São Vicente durante a pandemia e atualmente gerencia a comunicação da Caixa de Saúde e Pecúlio de São Vicente. Apaixonado por leitura e escrita, desenvolvo livros que abordam temas sociais e histórias de superação, unindo técnica e sensibilidade narrativa.

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