Brasil mira delegação recorde e chances de medalhas nos Jogos Olímpicos de Inverno Milano-Cortina 2026

Faltando apenas 95 dias para a Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno Milano-Cortina 2026, o Brasil vive uma expectativa histórica. Pela décima participação do país no evento, a delegação pode não apenas ser a maior da história, mas também chegar com chances concretas de conquistar medalhas, algo inédito para o Time Brasil.

LEIA TAMBÉM: A 95 dias dos Jogos Olímpicos de Inverno, Itália revela pódios oficiais e portadores da tocha de Milano Cortina 2026

Atletas como Lucas Pinheiro Braathen, no esqui alpino, Nicole Silveira, no skeleton, e Pat Burgener, no snowboard, estão entre os principais nomes da elite mundial e trazem esperança de pódio para os brasileiros. Além do sonho de medalhas, o país luta para superar o recorde de 13 atletas em Sochi 2014, com mais de duas dezenas de esportistas podendo assegurar a classificação.

Caminhada do Brasil rumo às vagas Olímpicas

Atualmente, o Brasil ainda tem chances de cota em mais da metade das modalidades do programa de Milano-Cortina 2026. Porém, sete esportes não terão representantes brasileiros:

  • Luge, combinado nórdico, salto de esqui e hóquei no gelo: nenhum atleta participou dos eventos pré-Olímpicos.
  • Curling, esqui de montanha e patinação artística: brasileiros não atingiram os critérios exigidos.

Nas demais modalidades, atletas seguem competindo em etapas de Copa do Mundo e rankings internacionais, buscando assegurar vagas. A confirmação da delegação recorde ocorrerá após 18 de janeiro de 2026, data final para a classificação Olímpica na maioria das disciplinas.

VEJA MAIS ESSA: Brasil alcançará sua 10ª participação nos Jogos Olímpicos de Inverno em Milano-Cortina 2026

Esqui alpino

O Brasil ainda busca garantir uma cota feminina após 12 anos e ampliar as cotas masculinas, principalmente com Lucas Pinheiro Braathen. Atualmente, o país tem duas vagas provisórias (uma masculina e uma feminina) pela cota básica.

Lucas, quinto no slalom gigante e sexto no slalom, se classifica diretamente para mais duas vagas masculinas se terminar no top 30 da Copa do Mundo até 18 de janeiro de 2026.

“Representar o Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno em 2026 é uma oportunidade de mostrar que tudo é possível”, destacou Lucas.

Esqui cross-country

O Brasil possui atualmente uma vaga provisória masculina com Manex Silva (Mundial Júnior) e uma feminina com Jaqueline Mourão e Eduarda Ribera (Mundial adulto). Além disso, há uma cota parcial feminina pelo ranking de nações, com chance remota de uma terceira vaga, ocupando atualmente a 19ª posição da lista com 15 cotas ainda abertas.

Snowboard

A modalidade promete ser destaque na delegação brasileira, com presença em várias provas após ausência em Beijing 2022.

  • Halfpipe masculino: Pat Burgener (oitavo) e Augustinho Teixeira (21º) já estão na lista de alocação Olímpica.

“Este é o melhor momento. Ainda estou no topo e posso conquistar coisas grandes”, afirmou Burgener.

Pat Burgener - Foto: William Lucas/CBDN
Pat Burgener – Foto: William Lucas/CBDN
  • Halfpipe feminino: Priscila Cid, 15 anos, estreia na Copa do Mundo e luta para reduzir 40 pontos em relação à última atleta classificada.
  • Slopestyle/big air masculino: Luca Merimée Mantovani ainda precisa cumprir requisitos após cirurgia e terá cinco etapas para atingir o top 30.
  • Snowboard cross: Noah Bethonico precisa de top 30 em duas etapas restantes para disputar uma das 32 vagas.

Esqui estilo livre

O Brasil tem apenas Dominic Bowler buscando vaga em slopestyle e big air. Ele já possui índice FIS, mas ainda precisa de top 30 em seis etapas da Copa do Mundo e reduzir 87 pontos para assegurar a vaga direta.

A primeira etapa será em 21 e 22 de novembro em Stubai, Áustria, e o período de classificação termina em 18 de janeiro de 2026.

Biatlo

Gaia Brunello é a única atleta brasileira na disputa do biatlo. Com 110.99 pontos IBU, ela está dentro do limite de 180 pontos exigido para elegibilidade Olímpica e ocupa 11ª posição no ranking da modalidade.

“Disputar os Jogos Olímpicos de Inverno tornou-se objetivo e espero, assim, que se torne realidade. Quero fazer acontecer e levar o Brasil ao biatlo nos Jogos”, comentou Gaia.

Skeleton

  • Nicole Silveira: duas medalhas de bronze na Copa do Mundo, quarta colocada no Mundial, e favorita entre as 25 cotas disponíveis.

“Eu vou continuar focando no meu desenvolvimento em fortalecer meu push e não pensar no maior objetivo, mas sim no dia a dia”, explicou.

Nicole Silveira faz história em Beijing 2022, ficando em 13º no skeleton, sendo o melhor resultado do Brasil na modalidade – Foto: Alexander Castello Branco/COB
Nicole Silveira faz história em Beijing 2022, ficando em 13º no skeleton, sendo o melhor resultado do Brasil na modalidade – Foto: Alexander Castello Branco/COB
  • Eduardo Strapasson ainda precisa melhorar desempenho para conseguir uma vaga, competindo pela primeira vez na temporada adulta completa.

Bobsled

O bobsled masculino terá sete etapas entre novembro e janeiro de 2026 para somar pontos. O trenó de Edson Bindilatti já figura na lista de alocação (19º com 1472 pontos).

“A gente pegou um matagal aqui. Era floresta, hoje quem chega é oceano azul. A gente ralou bastante, então fico orgulho de tudo que eu fiz. Eu sinto orgulho de ter feito arte e não faria nada diferente se fosse começar hoje”, afirmou Bindilatti.

Uma segunda vaga inédita ainda é possível com Gustavo Ferreira de piloto, caso ele melhore pontuação nas provas restantes.

Patinação de velocidade em pista curta

Lucas Koo é o único brasileiro na modalidade. Após duas etapas do World Tour, ele está sexto na lista de realocações nos 1000m, a 85 pontos da vaga direta, e próximo do top 10 nos 1500m. Próximas etapas: 21 a 23 de novembro em Gdanski, Polônia, e 28 a 30 de novembro em Dordrecht, Países Baixos.

Patinação de velocidade

Larissa Paes e Julia de Vos ainda buscam índice para disputar a Copa do Mundo e garantir vaga Olímpica.

  • Julia (500m) precisa reduzir tempo de 41.04 para menos de 40 segundos.
  • Larissa (1000m e 1500m) precisa de marcas abaixo de 1min20s00 e 2min02s00, respectivamente.

Ao todo, são 28 cotas disponíveis em cada distância, sendo 21 por classificação geral e 7 pelo ranking de tempo.

A primeira etapa será em Salt Lake City, EUA, de 14 a 16 de novembro.

Com menos de 100 dias para Milano Cortina 2026, o Brasil caminha para uma delegação histórica, com chances reais de medalhas, refletindo o crescimento do país nos esportes de inverno e o esforço individual de cada atleta para conquistar o pódio.

Autor

  • Nicolas Pedrosa

    Jornalista formado pela UNIP, com experiência em TV, rádio, podcasts e assessoria de imprensa, especialmente na área da saúde. Atuou na Prefeitura de São Vicente durante a pandemia e atualmente gerencia a comunicação da Caixa de Saúde e Pecúlio de São Vicente. Apaixonado por leitura e escrita, desenvolvo livros que abordam temas sociais e histórias de superação, unindo técnica e sensibilidade narrativa.

Marcado:

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *