União Europeia abre investigação contra Shein por produtos ilegais e possível design viciante

A União Europeia (UE), na última terça-feira (17), abriu investigação formal sobre a varejista chinesa digital Shein, por venda de produtos ilegais e supostas preocupações com o design potencialmente viciante da plataforma. A iniciativa se apoia na legislação que obriga plataformas digitais a adotar medidas eficazes para coibir a circulação de conteúdos ilegais e nocivos. A lei surgiu após a França ter instado o órgão executivo da UE, em novembro de 2025, para combater a venda de bonecas sexuais com aparência infantil na plataforma chinesa.

Diante disso, a Shein suspendeu globalmente a comercialização de todas as bonecas sexuais. A companhia e sua concorrente chinesa Temu passaram a simbolizar as preocupações mais amplas na Europa em relação à entrada massiva de produtos chineses de baixo custo.

“A Lei dos Serviços Digitais mantém os consumidores seguros, protege seu bem-estar e os capacita com informações sobre os algoritmos com os quais estão interagindo. Avaliaremos se a Shein está respeitando essas regras e sua responsabilidade”, afirmou a chefe de tecnologia da União Europeia, Henna Virkkunen, em nota. No mês passado, a Comissão Europeia já havia indicado que poderia abrir uma investigação formal.

A Shein declarou que seguirá colaborando com o regulador europeu e destacou investimentos relevantes para reforçar a conformidade com as regras do bloco, incluindo avaliações de riscos sistêmicos, mecanismos de mitigação e o fortalecimento da proteção a usuários mais jovens.

Segundo a empresa, além do aprimoramento das ferramentas de detecção, foram aceleradas salvaguardas adicionais para produtos com restrição etária, como sistemas de verificação de idade para impedir que menores visualizem ou adquiram itens inadequados.

A Comissão Europeia informou que examinará os mecanismos adotados pela Shein na UE para restringir a venda de produtos ilegais, incluindo eventuais materiais relacionados a abuso sexual infantil.

A apuração também deve analisar aspectos do design da plataforma considerados potencialmente viciantes — como a oferta de pontos ou recompensas por engajamento — que podem afetar negativamente o bem-estar dos usuários. Outro foco será a transparência dos sistemas de recomendação utilizados pela empresa para sugerir conteúdos e produtos aos consumidores.

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