Títulos e ações caem com escalada da guerra no Irã e risco de choque energético

Os mercados globais registraram forte queda nesta quinta-feira (19) após a intensificação da guerra no Oriente Médio atingir diretamente instalações estratégicas de energia no Irã e no Qatar. A escalada do conflito elevou o temor de um choque energético prolongado, pressionando os preços do petróleo e do gás e aumentando a aversão ao risco entre investidores.

A tensão aumentou depois que forças iranianas atacaram o complexo de gás Ras Laffan, no Qatar, responsável por cerca de 20% do fornecimento mundial de gás natural liquefeito (GNL). O episódio provocou uma disparada imediata nos preços da energia e ampliou a preocupação sobre possíveis interrupções no abastecimento global.

O preço do gás natural na Europa reagiu com forte alta. O índice de referência TTF chegou a subir até 35%, alcançando 74 euros por megawatt-hora (MWh), o maior nível desde o início do conflito, antes de recuar para cerca de 65 euros. Antes da guerra, o combustível era negociado próximo de 32 euros por MWh. Já o petróleo Brent chegou a atingir US$ 119,11 durante o dia, com avanço de até 10%.

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O impacto também foi sentido nas bolsas internacionais. Na Europa, o índice Euro STOXX 600 chegou a cair 2,7%, com perdas disseminadas entre os setores — exceção feita às empresas de energia, que se beneficiaram da valorização das commodities. Nos Estados Unidos, o S&P 500 recuava cerca de 0,7% no início do pregão, estendendo as perdas da sessão anterior.

A aversão ao risco também atingiu o mercado de renda fixa. Os rendimentos dos títulos públicos subiram globalmente à medida que investidores passaram a apostar que bancos centrais poderão manter juros elevados por mais tempo para conter a inflação gerada pela alta da energia.

Nos Estados Unidos, o rendimento dos Treasuries de dois anos — sensível às expectativas sobre a política monetária do Federal Reserve — avançou 0,11 ponto percentual, para 3,85%. Ao mesmo tempo, operadores reduziram significativamente as apostas de corte de juros neste ano: uma redução de 0,25 ponto percentual, que era considerada praticamente certa no início da semana, agora tem menos de 20% de probabilidade.

No Reino Unido, os títulos públicos foram os mais pressionados. O rendimento dos gilts de dez anos subiu 0,12 ponto percentual, para 4,86%, aproximando os custos de financiamento do país dos níveis mais altos desde a crise financeira de 2008. Na Alemanha, os Bunds de dez anos chegaram a ultrapassar brevemente o patamar de 3%.

Analistas alertam que a combinação de energia cara e crescimento econômico mais fraco pode levar a um cenário de estagflação. “Estamos entrando no território temido da estagflação. Isso é negativo para praticamente todos os ativos”, afirmou Altaf Kassam, da State Street Investment Management, ressaltando que os investidores começam a tratar o choque energético como um problema potencialmente duradouro.

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