O saldo da balança comercial brasileira em março veio menor do que o esperado pelo mercado, segundo dados divulgados na última terça-feira (7) pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Além disso, o governo revisou suas projeções para 2026 e passou a estimar um superávit de US$ 72,1 bilhões — valor próximo ao limite inferior previsto anteriormente.
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No mês, o Brasil exportou US$ 31,6 bilhões e importou US$ 25,2 bilhões, resultando em um superávit de US$ 6,4 bilhões. O número ficou abaixo da expectativa de economistas consultados pela Reuters, que projetavam um saldo de US$ 7,35 bilhões.
Revisão das projeções para 2026
O MDIC atualizou suas estimativas para o comércio exterior neste ano. A previsão de exportações passou a ser de US$ 364,2 bilhões, dentro da faixa estimada em janeiro (entre US$ 340 bilhões e US$ 380 bilhões).
Já as importações tiveram uma revisão para cima: agora são projetadas em US$ 292,1 bilhões, acima do intervalo anterior, que ia de US$ 270 bilhões a US$ 290 bilhões.
Com isso, a expectativa de superávit anual foi ajustada para US$ 72,1 bilhões. Em janeiro, o governo trabalhava com uma faixa entre US$ 70 bilhões e US$ 90 bilhões. Em 2025, o saldo positivo foi de US$ 68,1 bilhões.
O que explica as mudanças
Segundo o diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC, Herlon Brandão, o aumento nas importações está ligado ao bom desempenho da economia brasileira e aos preços internacionais.
Ele destacou que fatores externos, como a guerra no Irã, podem continuar impactando os preços de produtos e levar a novas revisões nas projeções.
Apesar das incertezas, Brandão afirmou que os dados atuais indicam um cenário relativamente estável para o comércio exterior brasileiro, mesmo diante de crises internacionais.
Desempenho por setores
Nas exportações, todos os setores apresentaram crescimento:
- Indústria extrativa: alta de 36,4%, impulsionada principalmente pelo petróleo
- Indústria de transformação: aumento de 5,4%, com destaque para carnes e combustíveis
- Agropecuária: crescimento de 1,1%, puxado pela soja
Já nas importações, houve avanço em diversas categorias:
- Bens de consumo: +54,4%
- Bens de capital: +26,5%
- Combustíveis: +16,2%
- Bens intermediários: +10,4%
Resultado no acumulado do ano
No primeiro trimestre de 2026, o Brasil registrou um superávit comercial de US$ 14,2 bilhões. O valor é superior ao observado no mesmo período de 2025, quando o saldo foi de US$ 9,6 bilhões.









