Sinal amarelo para o feijão em 2026: estoques reduzidos elevam risco de alta nos preços

O Brasil inicia 2026 com um quadro de atenção no mercado de feijão: os estoques estão baixos, suficientes para aproximadamente 15 dias de consumo, quando o usual seriam 60 dias. Esse cenário pode resultar em aumentos ao consumidor nos próximos meses, sobretudo no feijão-carioca, item central na alimentação das famílias de menor renda.

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De acordo com Marcelo Lüders, presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), os indícios de aperto na oferta já eram perceptíveis desde o meio de 2025. “Desde setembro e outubro que poderia haver uma valorização de preços, principalmente pela sinalização do volume armazenado em câmara fria”, afirmou à CNN Brasil. 

A situação agravada pela queda contínua da produção e pela redução da área plantada. Os produtores têm migrado para culturas mais rentáveis, como soja e milho, além de enfrentarem preços historicamente baixos do feijão. Há cerca de dez anos, a primeira safra ocupava quase 1 milhão de hectares; para 2025/26, a projeção é de 796 mil hectares no verão.

“O preço ficou deprimido por bastante tempo e acabou desestimulando o plantio, principalmente do carioca. O ciclo que já deveria ter sido iniciado acabou não avançando”, afirmou Lüders.

Considerando as três safras, o feijão já ocupou 5,8 milhões de hectares em 1995/96. Para 2025/26, a estimativa é de 2,63 milhões de hectares. Muitos produtores vêm substituindo o carioca por variedades voltadas à exportação, como mungo e caupi. Com isso, a safra atual pode se tornar a menor de feijão-carioca em duas décadas, o que tende a ampliar a volatilidade de preços no varejo. A Conab estima produção total de 3 milhões de toneladas – 1,4% abaixo do ciclo 2024/25 e 10% menor que há dez anos.

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Concentrada no Paraná e em Minas Gerais, a colheita deve atingir 941,6 mil toneladas, recuo de 16,2% em relação ao ciclo anterior. Para o feijão-carioca, a produção prevista é de 321,4 mil toneladas, uma queda de 7,5% frente à primeira safra passada.

Demanda enfraquecida segura reação de preços

Mesmo com oferta limitada e estoques reduzidos, os preços ainda não subiram de maneira significativa. A principal razão é o enfraquecimento do consumo interno. Levantamento da Embrapa mostra que o brasileiro consumia, em média, 23 quilos de feijão por ano na década de 1960/70. Em 2024, o consumo per capita recuou para 14 quilos, o menor nível da série histórica. A mudança reflete alterações no padrão alimentar, com perda de espaço do feijão e maior presença de industrializados.

As variedades fradinho e mungo são mais cultivadas em Tocantins, Maranhão, Piauí e Rondônia. As exportações de feijão vêm aumentando e ajudam a sustentar o setor, mas influenciam pouco os preços internos, já que o volume enviado ao exterior é majoritariamente composto por tipos pouco consumidos no mercado doméstico.

Em 2025, o Brasil exportou 860 mil toneladas de feijão, segundo o Comex Stat, número 6,3% maior que em 2024 e 27% superior ao de cinco anos atrás.

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