Em meio à escalada do conflito no Oriente Médio, a Petrobras afirmou nesta segunda-feira (2) que não há risco de desabastecimento no Brasil, mesmo diante da instabilidade geopolítica que elevou os preços internacionais do petróleo. A estatal destacou que suas operações seguem seguras e que os fluxos logísticos podem ser redirecionados, se necessário.
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Segundo comunicado oficial, as rotas de importação da companhia estão majoritariamente fora da área de conflito, o que reduziria impactos diretos sobre o abastecimento interno. A empresa reforçou que, neste momento, não há interrupções nas operações de importação ou exportação.
“Os fluxos de importação da Petrobras são majoritariamente fora da região de crise e as poucas rotas que existem podem ser redirecionadas”, informou a companhia.
O posicionamento da Petrobras ocorre após o anúncio do governo do Irã sobre o fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo. A medida foi divulgada após a morte do aiatolá Ali Khamenei e incluiu ameaças a embarcações que tentarem cruzar a passagem marítima.
O estreito conecta grandes produtores do Golfo, como Arábia Saudita, Iraque e Emirados Árabes Unidos, ao Golfo de Omã e ao Mar Arábico. Estimativas do mercado indicam que cerca de 20% do fluxo mundial de petróleo passa pela região, tornando qualquer bloqueio um fator imediato de pressão sobre as cotações internacionais.
Em reação à crise, os preços do petróleo no mercado internacional chegaram a subir até 13%, superando US$ 82 por barril, o maior patamar desde janeiro de 2025.
Apesar do discurso tranquilizador da estatal, representantes do mercado avaliam que a volatilidade externa pode pressionar os preços internos nos próximos dias.
O presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), Sérgio Araújo, afirmou que a Petrobras pode aguardar maior estabilização antes de anunciar qualquer reajuste, mas ponderou que refinarias privadas já podem iniciar movimentos de alta.
“Acho que não é o fato da confirmação do fechamento ou da ameaça de bombardear navios que vai gerar um novo aumento imediato, porque parte desse risco já está precificada”, afirmou.
Araújo avalia que o conflito pode se prolongar por semanas ou até meses, mantendo o petróleo em patamares elevados. Segundo ele, a expectativa é de que o barril oscile em torno de US$ 80 ou acima disso, sem retornar aos níveis de US$ 60 a US$ 65 observados anteriormente.
Risco de alta nos combustíveis no Brasil
Mesmo sem ameaça concreta de desabastecimento, especialistas apontam que o impacto mais provável para o consumidor brasileiro é a pressão inflacionária nos combustíveis, caso a alta internacional persista.
O Brasil é autossuficiente na produção de petróleo, mas ainda depende de importações para suprir parte do mercado de derivados, como diesel e gasolina. Assim, movimentos abruptos no mercado internacional costumam influenciar decisões de preços nas refinarias.
Analistas do setor energético afirmam que, se o barril se aproximar de US$ 100, cenário considerado possível em caso de bloqueio prolongado no Oriente Médio, o reajuste nas bombas pode se tornar inevitável.
Desde a revisão de sua política comercial, a Petrobras tem buscado maior flexibilidade na definição de preços, sem adotar repasses automáticos da volatilidade externa. Ainda assim, o acompanhamento das cotações internacionais segue como fator determinante nas decisões da companhia.
No curto prazo, o mercado monitora dois fatores principais:
- a efetividade do bloqueio no Estreito de Ormuz;
- a duração do conflito e possíveis sanções adicionais.
Enquanto isso, a estatal reforça que o abastecimento está garantido, mas o cenário externo mantém o setor em alerta quanto à evolução dos preços.









