O ano de 2026 começa com um cenário econômico que exige prudência, planejamento e decisões bem calculadas por parte de consumidores, investidores e empresas. O contexto é fortemente influenciado pela eleição presidencial, fator que historicamente aumenta a cautela nos agentes econômicos e reduz a disposição para movimentos mais agressivos no mercado.
Segundo o consultor financeiro Nathan Galdi Victor, da Fire|ce, períodos eleitorais tendem a criar um ambiente mais defensivo. “As decisões passam a ser tomadas de forma gradual, com menos espaço para movimentos bruscos, tanto no consumo quanto nos investimentos”, afirma.
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Do ponto de vista macroeconômico, a expectativa é de crescimento moderado, com recuperação lenta e desigual entre os setores. A economia segue operando, mas com foco maior em ajustes e eficiência, em vez de expansão acelerada. Nesse contexto, os juros elevados devem permanecer como um dos principais fatores de pressão ao longo do ano, limitando o crédito e encarecendo o custo do dinheiro.
Mesmo com a inflação mais controlada nos indicadores gerais, o custo de vida deve continuar pesando no orçamento das famílias. Despesas com alimentação, moradia, energia e transporte seguem absorvendo parcela significativa da renda, influenciadas por variações cambiais, fatores climáticos e custos logísticos. Para o especialista, a sensação de aperto financeiro persiste, apesar de um ambiente macroeconômico relativamente mais estável.
Com esse cenário, gastar, poupar ou investir passa a exigir ainda mais organização financeira. O consultor destaca que gastos precisam ser analisados com critério, sobretudo aqueles que comprometem a renda futura. Já os investimentos devem priorizar previsibilidade.
“A renda fixa continua sendo uma alternativa relevante para preservação e crescimento do patrimônio em um ambiente de juros altos”, explica.
O mercado de trabalho também reflete essa postura mais cautelosa. As oportunidades tendem a se concentrar em setores menos dependentes de crédito, como serviços, tecnologia aplicada a negócios, saúde, educação, logística e exportação. Em contrapartida, segmentos como construção civil, varejo de bens duráveis e pequenas empresas altamente endividadas devem enfrentar maior pressão ao longo do ano.
Diante desse cenário, a principal recomendação é clara: planejar mais para decidir melhor. Para o especialista, cautela não significa paralisia.
“O ano pede leitura atenta do contexto econômico, organização financeira e escolhas alinhadas à realidade dos juros e do crescimento. As oportunidades existem, mas favorecem quem está preparado e pensa no longo prazo”, conclui.









