Incerteza com guerra faz Copom evitar prever duração da queda dos juros

A duração e a intensidade do ciclo de queda dos juros no Brasil ainda são incertas e dependerão da evolução do cenário econômico global, especialmente diante da guerra envolvendo o Irã. É o que indica a ata divulgada pelo Banco Central nesta terça-feira (24), referente à última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária). O documento destaca que novas decisões serão tomadas gradualmente, conforme o comitê avalie as informações disponíveis nas próximas semanas.

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Sem antecipar os próximos passos, o colegiado preferiu manter a decisão em aberto. A estratégia é aguardar maior clareza sobre a extensão e os impactos do conflito no Oriente Médio antes de definir o ritmo do ciclo de flexibilização monetária. A próxima reunião do comitê está marcada para os dias 28 e 29 de abril.

Na ata, o Copom afirmou que “a magnitude e a duração do ciclo de calibração serão determinadas ao longo do tempo”, à medida que novos dados econômicos sejam incorporados às análises. Segundo o documento, o atual cenário apresenta elevado grau de incerteza, dificultando a identificação de tendências claras para a economia e para a inflação.

Entre os fatores que aumentam a cautela do comitê estão os desdobramentos geopolíticos e os sinais ainda mistos sobre o ritmo de desaceleração da atividade econômica. Esses elementos, combinados, tornam mais difícil prever como o nível de preços poderá evoluir nos próximos meses.

Na última quarta-feira (18), o Copom iniciou o ciclo de queda dos juros ao reduzir a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, passando de 15% para 14,75% ao ano. O comitê avaliou que esse movimento inicial seria o mais adequado para começar a ajustar a política monetária sem comprometer o controle da inflação.

Segundo o colegiado, o corte moderado mantém os juros em um patamar suficientemente restritivo para continuar desacelerando a economia. O objetivo é garantir que a inflação continue convergindo para a meta estabelecida pelo Banco Central.

Essa foi a primeira redução da Selic em quase dois anos e também a primeira sob a gestão de Gabriel Galípolo à frente da autoridade monetária. O último corte havia ocorrido em maio de 2024, ainda durante a presidência de Roberto Campos Neto no Banco Central.

A ata também destaca que o cenário externo se tornou mais incerto nas últimas semanas. No momento da reunião do Copom, o preço do barril de petróleo chegou a ultrapassar os US$ 110, refletindo o agravamento das tensões geopolíticas. Além disso, dúvidas sobre os rumos da política econômica dos Estados Unidos contribuíram para ampliar a volatilidade dos mercados.

Antes do início do conflito no Oriente Médio, os dados indicavam algum alívio no comportamento da inflação. A valorização do real e a queda nos preços das commodities ajudavam a reduzir a pressão sobre bens industrializados e alimentos, enquanto a inflação de serviços também mostrava sinais de desaceleração, ainda que de forma mais gradual.

Mesmo assim, o Banco Central observa que as expectativas inflacionárias voltaram a subir após o início da guerra. No cenário de referência do Copom, a projeção de inflação para este ano passou de 3,4% para 3,9%, permanecendo acima da meta central de 3%. Diante desse quadro, o comitê reforçou que seguirá monitorando atentamente fatores como preços do petróleo, taxa de câmbio, mercado de trabalho e expectativas de inflação antes de decidir os próximos movimentos da política de juros.

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