O governo federal pretende regulamentar a contratação de hidrelétricas reversíveis, um tipo de usina capaz de armazenar energia em um reservatório adicional. A medida busca criar um modelo de operação para o sistema elétrico brasileiro, permitindo guardar eletricidade para ser utilizada em momentos de maior demanda.
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As regras para esse tipo de projeto devem ser definidas nesta semana pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), órgão responsável por orientar as diretrizes do setor energético no país. A regulamentação será discutida na reunião marcada para quinta-feira (26).
Com a definição das normas, a expectativa do governo é abrir caminho para a realização de leilões específicos para essas usinas a partir de 2027. Esses certames permitirão a contratação de novos projetos capazes de ampliar a capacidade de armazenamento de energia no sistema.
As hidrelétricas reversíveis funcionam como uma espécie de “bateria de água”. Diferentemente das usinas tradicionais, elas não apenas geram energia, mas também conseguem armazená-la para uso posterior. Isso ocorre por meio da construção de um reservatório adicional, geralmente localizado em nível mais alto que o reservatório principal.
Quando há excesso de eletricidade na rede — por exemplo, em períodos de forte geração solar ou eólica — a usina utiliza essa energia para bombear água do reservatório inferior para o reservatório superior. Dessa forma, a energia disponível naquele momento é armazenada indiretamente.
Nos horários de maior consumo, como no início da noite, onde muitas pessoas já retornaram para casa, após um dia de trabalho, a água acumulada no reservatório superior é liberada. Ao descer, ela passa pelas turbinas da usina e gera novamente eletricidade, aumentando a oferta de energia quando o sistema mais precisa.
Entre o processo de bombeamento e a geração posterior, cerca de 70% a 80% da energia utilizada é recuperada. Apesar da perda parcial, o modelo permite aproveitar melhor a eletricidade gerada em momentos de sobra e reduzir a necessidade de acionar usinas térmicas mais caras e poluentes.
Esse tipo de tecnologia já é amplamente utilizado em diversos países, como Austrália, China, Japão, Estados Unidos e membros da União Europeia já operam grandes complexos de armazenamento hidráulico há anos. mas ainda não foi implementado no Brasil. A regulamentação pretende estabelecer regras claras de funcionamento e remuneração dos projetos, incentivando investimentos no setor. É importante ressaltar, que os reservatórios brasileiros construídos nas últimas décadas são menores.
Estudos indicam que o Brasil tem potencial para instalar dezenas de gigawatts em usinas hidrelétricas reversíveis, especialmente nas regiões Sudeste e Sul. Essas áreas reúnem condições favoráveis, como relevo adequado, infraestrutura elétrica já instalada e a presença de reservatórios existentes.
Um levantamento realizado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE) no estado do Rio de Janeiro identificou 15 locais com características adequadas para esse tipo de projeto, após análises socioambientais.
O tema vem sendo estudado pelo Grupo de Estudos do Setor Elétrico (Gesel), ligado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que defende a regulamentação para viabilizar leilões. A proposta também tem apoio da Associação Brasileira das Empresas Geradoras de Energia Elétrica (Abrage), que reúne 24 das maiores geradoras e representa cerca de 90% da produção hidrelétrica do país.
Além disso, o CNPE também deve discutir uma resolução que orienta a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) a retomar estudos para identificar novas hidrelétricas com grandes reservatórios de armazenamento. A medida busca fortalecer a segurança energética do país diante do crescimento das fontes renováveis intermitentes, como a eólica e a solar.









