O endividamento das famílias brasileiras segue em nível recorde e deve continuar pressionando o orçamento doméstico ao longo de 2026, impulsionado pelo crédito caro e pelos juros elevados. O cenário amplia o risco de inadimplência e limita o consumo, criando um quadro de fragilidade financeira persistente nos lares brasileiros, alertam especialistas.
Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostram que cerca de 79% das famílias brasileiras possuem algum tipo de dívida, o maior patamar desde o início da série histórica, em 2010. Desse total, mais de 30% já estão inadimplentes, com contas em atraso e sem previsão clara de quitação, o que evidencia o agravamento do problema no início de 2026.
Números do Banco Central reforçam esse diagnóstico. Em outubro de 2025, aproximadamente 49,3% das famílias estavam endividadas, com um estoque recorde de crédito voltado ao consumo disponível no mercado. No mesmo período, a taxa média de juros para pessoas físicas chegou a 59,4% ao ano, tornando o custo da dívida ainda mais pesado para os consumidores.
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Segundo o advogado tributarista Bruno Medeiros Durão, presidente do escritório Durão & Almeida, Pontes Advogados Associados, o quadro exige atenção imediata.
“O endividamento familiar supera há meses três quartos dos lares brasileiros, o que revela uma fragilidade estrutural no equilíbrio entre renda e despesas. A alta dos juros, combinada com custos essenciais cada vez maiores, tem levado muitas famílias a recorrer ao crédito rotativo e ao empréstimo pessoal, modalidades com juros extremamente elevados”, explica.
Para Durão, o impacto vai além do orçamento individual e exige ações coordenadas. “É imprescindível que os consumidores busquem educação financeira ativa e que instituições públicas e privadas incentivem soluções de renegociação e prevenção ao superendividamento, sem sacrificar o mínimo existencial”, afirma.
Na avaliação do advogado tributarista Adriano de Almeida, sócio do mesmo escritório, o problema deixou de ser pontual e passou a ter efeitos estruturais sobre a economia doméstica. “Quando grande parte da renda familiar é direcionada ao pagamento de juros, sobra menos espaço para poupança, investimento e até despesas básicas. Em 2026, o desafio será evitar que o crédito caro continue funcionando como um amortecedor artificial da renda”, alerta.
Bruno Medeiros Durão destaca ainda que existem alternativas jurídicas e extrajudiciais para lidar com situações mais graves. “Quando a dívida compromete mais da metade da renda familiar ou inviabiliza o sustento básico, há espaço para renegociação com credores e uso de instrumentos de defesa do consumidor, buscando reequilibrar os compromissos financeiros de forma sustentável”, conclui.
Os especialistas avaliam que, mesmo com sinais de ajuste no mercado de trabalho e alguma melhora na renda real ao longo de 2025, o crédito caro e o custo de vida elevado devem manter o endividamento das famílias em patamares elevados em 2026, pressionando o consumo e dificultando a saída do ciclo de dependência do crédito de alto custo.









