O dono do Tresory Bank, o empresário Eduardo Scatambulo Ribeiro, passou a ser investigado pela Polícia Civil de São Paulo após investidores denunciarem o desaparecimento de valores aplicados na plataforma, com prejuízos que podem chegar a milhões de reais. O caso envolve suspeitas de estelionato e fraude financeira, além de uma série de ações judiciais em andamento.
De acordo com os relatos, o banco digital prometia rendimentos mensais de 2%, percentual considerado acima da média de investimentos conservadores disponíveis no mercado. Investidores afirmam que os pagamentos começaram a atrasar no fim de 2024 e que, após cobranças, a comunicação com a empresa foi interrompida, resultando na perda de acesso aos valores investidos. Há registros de aportes individuais superiores a R$ 500 mil.
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Além do inquérito policial, mais de 30 processos judiciais tramitam contra o Tresory Bank. Segundo dados societários, a empresa possui capital social de R$ 1 milhão, com Scatambulo como único sócio, e está registrada como holding de instituições não financeiras, apesar de se apresentar publicamente como banco digital.
Um dos pontos que chama atenção no caso é que, apesar do nome comercial, o Tresory Bank não consta na lista de instituições financeiras autorizadas ou supervisionadas pelo Banco Central. A atividade principal da empresa está enquadrada sob um CNAE voltado a holdings não financeiras, o que levanta questionamentos sobre a oferta de produtos típicos do sistema bancário, como investimentos, contas digitais e serviços financeiros diversos.
“Estamos assistindo inúmeros escândalos envolvendo fintechs e outras instituições financeiras não bancárias – que muitas vezes se apresentam como bancos, mas sem de fato serem, sem as mesmas obrigações fiscais, regulatórias e trabalhistas – que geram prejuízos gigantescos para clientes, trabalhadores e toda a sociedade. Consequência da desregulação do sistema financeiro, promovida principalmente na gestão de Roberto Campos Neto no Banco Central”, comenta Neiva Ribeiro, presidenta do Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região.
O episódio reacendeu o debate sobre lacunas regulatórias no setor de fintechs e instituições não bancárias. Especialistas e entidades do setor financeiro alertam que empresas que atuam de forma semelhante a bancos, mas fora do arcabouço regulatório tradicional, podem expor investidores a riscos elevados, sobretudo quando prometem retornos acima do mercado.
Casos recentes envolvendo plataformas financeiras digitais têm reforçado a discussão sobre a necessidade de regras mais claras e fiscalização mais rigorosa, especialmente em um cenário de rápida expansão de serviços financeiros fora do sistema bancário tradicional. Para investigadores, o caso do Tresory Bank pode se tornar um marco na análise de responsabilidades e limites legais desse tipo de operação no Brasil.









