Dólar abre estável em meio a escalada no Oriente Médio e expectativa por decisões de juros

O dólar abriu quase estável nesta quarta-feira (18), enquanto investidores monitoram o avanço do conflito no Oriente Médio e aguardam as decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos. No início das negociações, às 9h08, a moeda norte-americana recuava 0,02%, cotada a R$ 5,1993.

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Na véspera, o câmbio já havia registrado queda de 0,58%, encerrando o dia a R$ 5,199. No mesmo período, a Bolsa brasileira avançou 0,29%, alcançando 180.409 pontos.

A cautela dos mercados ocorre em meio à escalada das tensões geopolíticas na região. O Irã realizou ataques contra Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Bahrein, Catar, Arábia Saudita, Jordânia e Iraque, em resposta à morte de Ali Larijani, considerado um dos principais articuladores do regime iraniano. As ofensivas aconteceram simultaneamente a ataques conduzidos por Estados Unidos e Israel em áreas do Irã e do Líbano.

Segundo autoridades israelenses, Larijani teria sido morto em uma operação realizada durante a madrugada. Caso confirmada, seria a figura mais importante atingida desde o início do conflito, em 28 de fevereiro. Naquela data, ofensivas conjuntas de Israel e Estados Unidos resultaram na morte de Ali Khamenei, líder do Irã por quase quatro décadas. Até o momento, Teerã não se pronunciou oficialmente sobre o episódio.

Além dos ataques militares, o conflito também começa a impactar o mercado global de energia. Instalações petrolíferas e portos estratégicos no Golfo Pérsico foram atingidos, incluindo o terminal de Fujairah, nos Emirados Árabes Unidos, que sofreu o terceiro ataque em quatro dias. A situação levou à suspensão de carregamentos de petróleo e à paralisação de operações no campo de gás Shah.

O cenário se agravou com o bloqueio do Estreito de Ormuz, rota marítima por onde normalmente passa cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo. A interrupção da via tem limitado o fluxo de exportações da região e reduzido a produção de países produtores. Nos Emirados Árabes Unidos, terceiro maior produtor da Opep, a produção diária já caiu mais da metade desde o início da guerra.

Com a oferta global pressionada, o petróleo registrou forte alta. O barril do Brent, referência internacional, chegou a se aproximar de US$ 105 durante a madrugada e, no fim da tarde, era negociado a US$ 103,75, com avanço de 3,5%. Já o WTI, referência nos Estados Unidos, subia 3%, cotado a US$ 96.

Mesmo diante das tensões, o dólar apresentou desvalorização global. O índice DXY, que mede a força da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas fortes, recuava 0,12%, para 99,59 pontos.

Para analistas, o real tem demonstrado resiliência em meio à volatilidade recente. Segundo Matthew Ryan, chefe de estratégia de mercado da Ebury, a moeda brasileira tem resistido melhor que outras divisas emergentes. Isso ocorre, em parte, porque o Brasil é exportador de petróleo, o que ajuda a compensar pressões inflacionárias geradas pela alta da commodity.

No campo da política monetária, o mercado acompanha as reuniões do Federal Reserve (Fed) e do Comitê de Política Monetária (Copom). Nos Estados Unidos, a expectativa predominante é de manutenção dos juros na faixa entre 3,5% e 3,75%. De acordo com a ferramenta FedWatch, as chances de estabilidade na reunião desta quarta-feira chegam a 99,2%.

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No Brasil, porém, as projeções estão mais divididas. Instituições financeiras que antes apostavam em um corte de 0,5 ponto percentual na taxa básica de juros passaram a rever suas projeções. Com a alta recente dos preços do petróleo, a expectativa agora se divide entre a manutenção da taxa em 15% ao ano ou uma redução mais moderada, de 0,25 ponto percentual.

A XP revisou sua projeção e agora aposta na manutenção da Selic no patamar atual, citando deterioração do cenário inflacionário desde a última reunião do Copom. Já o BNP Paribas avalia que o Banco Central pode até adiar o início do ciclo de queda de juros para abril, quando haveria maior clareza sobre o cenário econômico e geopolítico.

Entre 27 instituições consultadas pela Bloomberg, dez ainda projetam redução da Selic para 14,5% ao ano, dezesseis estimam corte para 14,75%, e apenas uma prevê manutenção da taxa em 15%.

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