O efeito dominó no sistema financeiro provocado pela liquidação do Banco Master e de outras seis instituições ligadas ao conglomerado gerou apreensão no mercado e entre correntistas no início de 2026. Segundo dados preliminares, mais de 14 milhões de pessoas físicas, empresas e fundos de pensão foram afetados, com um rombo estimado acima de R$ 40 bilhões, após intervenções determinadas pelo Banco Central.
Além do Banco Master, a crise atingiu instituições como Will Bank e Reag Gestora, ampliando o impacto sobre investidores e correntistas. Parte dos valores deverá ser ressarcida por meio do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que cobre até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, considerando o total aplicado em instituições do mesmo conglomerado e apenas em ativos garantidos, como CDB, LCI, LCA e depósitos à vista. O mecanismo, no entanto, não se aplica aos correntistas do Will Bank, que ficaram fora da cobertura.
Para o planejador financeiro Sílvio Faria, o episódio representa um sinal de alerta importante para quem mantém recursos aplicados. “O caso do Banco Master é preocupante para quem tem dinheiro investido. Com mais uma liquidação no conglomerado, já estamos falando da utilização de cerca de um terço das reservas do Fundo Garantidor de Crédito”, afirma.
LEIA TAMBÉM: Dependência de ímãs estratégicos expõe risco silencioso para a indústria brasileira; especialista explica
Segundo Faria, o impacto é ainda mais severo para quem possui valores acima do limite garantido (R$ 250 mil). “Tudo o que ultrapassar o valor entra no processo de recuperação junto aos credores, que costuma ser longo e gerar muita incerteza. No caso do Will Bank, cerca de 12 milhões de correntistas sequer contam com a proteção do FGC”, explica.
Além do risco de não recuperação integral dos recursos, o planejador financeiro destaca a perda de rentabilidade causada pelo bloqueio dos valores. “Mesmo quando há ressarcimento, o dinheiro fica congelado por meses, o que gera perdas financeiras relevantes. A cada mês de espera, o prejuízo aumenta”, alerta. Ele cita o próprio caso do Banco Master, cujos clientes começaram a receber os valores apenas dois meses após a intervenção, período em que os recursos ficaram sem qualquer rendimento.
Para Faria, a crise reacende a necessidade de maior cautela por parte dos investidores. “Promessas de rentabilidade muito acima da média, especialmente feitas por instituições menores, devem ser vistas com desconfiança. Diversificar aplicações e priorizar instituições mais sólidas continua sendo uma das principais formas de reduzir riscos”, conclui.









