Osvaldão, símbolo da resistência: 52 anos do assassinato de um líder da Guerrilha do Araguaia

No dia 4 de fevereiro de 1974, a ditadura militar brasileira assassinou Osvaldo Orlando da Costa, conhecido como Osvaldão, um dos principais líderes da Guerrilha do Araguaia e símbolo da resistência armada contra o regime instaurado após o golpe de 1964.

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Passados 52 anos, sua história segue como denúncia das violências cometidas pelo Estado e como memória viva da luta por democracia, justiça social e direitos humanos. Natural de Passa Quatro (MG), Osvaldão teve uma trajetória marcada pela formação técnica, intelectual e esportiva.

Entre 1952 e 1954, viveu em São Paulo, onde cursou o Industrial Básico de Cerâmica em escola técnica. Mais tarde, mudou-se para o Rio de Janeiro, formando-se em 1958 como Técnico em Construção de Máquinas e Motores pela Escola Técnica Federal. Além da atuação acadêmica, destacou-se como atleta.

Vinculado ao Botafogo Futebol e Regatas, foi campeão carioca de boxe, revelando disciplina e força física que mais tarde se tornariam marcas também de sua atuação política. No mesmo período, serviu no Centro de Preparação de Oficiais da Reserva (CPOR) do Rio de Janeiro, tornando-se oficial da reserva do Exército.

A trajetória internacional de Osvaldão inclui passagem pela antiga Tchecoslováquia, atual República Tcheca, onde cursou até o terceiro ano de Engenharia de Minas, em Praga. Em sua homenagem, o escritor tcheco Cyprian Ekwensi escreveu, em 1962, o livro O homem que parou a cidade (Lidé z Mesta).

A existência da obra foi mantida em sigilo e revelada apenas em 1963 à irmã de Osvaldão, Irene Orlando, que recebeu um exemplar com dedicatória. Com o avanço da repressão após o golpe militar de 1964, Osvaldão foi forçado a entrar na clandestinidade, período em que já militava no Partido Comunista do Brasil (PCdoB).

Entre 1966 e 1967, tornou-se o primeiro quadro do partido a chegar à região do Araguaia, no sul do Pará, onde ajudou a estruturar a guerrilha camponesa que enfrentaria diretamente as Forças Armadas. Com 1,98 metros de altura, forte, carismático e conhecido pela generosidade, Osvaldão conquistou o respeito profundo dos moradores da região e de seus companheiros de luta.

Para a população local, tornou-se uma figura mítica, associada à proteção dos camponeses e à solidariedade. Ao lado de Dina, outro nome emblemático da guerrilha, consolidou-se como símbolo da resistência popular e como um dos alvos mais temidos pelos militares.

Como um dos líderes da Guerrilha do Araguaia, Osvaldão dedicou sua vida à luta contra a ditadura e à construção de um país mais justo.

Organizada pelo PCdoB, a guerrilha enfrentou uma das mais violentas operações repressivas da história do Brasil. O Estado lançou sucessivas campanhas militares na região, marcadas por torturas, execuções sumárias e desaparecimentos forçados. Muitos combatentes foram mortos e tiveram seus corpos ocultados, prática que até hoje impede o pleno direito à memória e à verdade.

O assassinato de Osvaldão integra a longa lista de crimes cometidos pela ditadura militar brasileira, cujas consequências seguem sendo sentidas décadas depois. Sua história, no entanto, permanece como símbolo de resistência.

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