Quinze anos depois de um dos universos mais perturbadores da televisão recente, a história de Gilead ganha novos contornos e, principalmente, novas vozes. Os Testamentos: Das Filhas de Gilead, série derivada de The Handmaid’s Tale, já está disponível no Disney+ a partir desta quarta-feira, 8 de abril, com os três primeiros episódios liberados de uma só vez.
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Baseada no romance de Margaret Atwood, a produção funciona como uma continuação direta da distopia que marcou uma geração. Se antes acompanhávamos o horror pelo olhar de June, agora o foco se divide entre três jovens mulheres que cresceram, ou sobreviveram, às consequências daquele regime.
No centro da narrativa está Agnes, interpretada por Chase Infiniti (Uma Batalha Após a Outra), uma jovem criada dentro de Gilead, moldada por suas regras rígidas e silenciosas. Do outro lado da fronteira, no Canadá, vive Daisy, personagem de Lucy Halliday (Blue Jean), cuja vida aparentemente comum desmorona ao descobrir que suas origens estão profundamente ligadas ao regime que ela sempre viu de longe. Entre essas trajetórias, surge novamente uma figura já conhecida do público, a temida Tia Lydia, vivida por Ann Dowd, que retorna ainda mais complexa, navegando entre fé, poder e possíveis fissuras internas.
Criada novamente por Bruce Miller, a série mantém o DNA narrativo da original, mas aposta em uma expansão do universo, tanto geográfica quanto emocional. Aqui, Gilead não é apenas um cenário de opressão, mas um sistema que reverbera para além de suas fronteiras, afetando gerações que sequer viveram sua origem.
A estreia chega em um momento simbólico. A sexta e última temporada de The Handmaid’s Tale também está programada para este ano, criando uma espécie de ponte entre o fim e o recomeço dessa história. Enquanto uma narrativa se encerra, outra surge para questionar o que realmente muda quando regimes caem e o que permanece, silenciosamente, nas estruturas e nas pessoas.
Os Testamentos não tenta apenas revisitar o sucesso anterior. Em vez disso, propõe um olhar mais amplo sobre herança, memória e resistência. Afinal, em um mundo como o de Gilead, o passado nunca fica realmente para trás, ele apenas encontra novas formas de se manifestar.









