São Paulo recebeu, no último sábado (04), a nona edição do Monsters of Rock. Ao longo de 32 anos, o festival movimentou milhares de pessoas trazendo nomes de peso do mundo rock. Neste final de semana, o público lotou o Allianz Parque para celebrar os novatos e veteranos presentes no line up.
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Alguns dos artistas estiveram pela primeira vez em território nacional, enquanto outros já nos conhecem de outras ocasiões. Após 12 horas de shows, com pontos mais altos do que baixos, o Ponto360 relembra o que houve de melhor no Monsters of Rock.
A nova geração – não tão nova assim
A primeira banda a subir no palco foi o Jayler. Fundada em 2022, eles viralizaram no Instagram em 2025, principalmente pela semelhança estética – e sonora – com o Led Zeppelin, embora também seja possível notar inspirações no AC/DC em algumas canções. É significativo que, tão pouco tempo depois de seu crescimento nas redes, eles estejam em um palco como o do Monsters. O quarteto formado por James Bartholomew (voz e guitarra), Tyler Arrowsmith (guitarra), Ricky Hodgkiss (baixo) e Ed Evans (bateria) entregou ótimos momentos e demonstrou vontade de conquistar o público. Foi o primeiro show da banda fora da Europa.
Setlist – Jayler
- Down Below
- The Getaway
- No Woman
- Riverboat Queen
- Lovemaker
- I Believe to My Soul (cover de Ray Charles)
- Need Your Love
- Over the Mountain
- The Rinsk

Setlist – Dirty Honey
- Won’t Take Me Alive
- California Dreamin’
- Heartbreaker
- The Wire
- Don’t Put Out the Fire
- Another Last Time
- Lights Out
- When I’m Gone
- Rolling 7s
A banda seguinte foi o Dirty Honey, que surgiu em 2017, em Los Angeles. Bebendo de fontes setentistas americanas, como o Aerosmith e o The Black Crowes, a banda também se destaca pelo forte apelo ao blues.
Com quatro álbuns lançados, eles estrearam no Brasil em um show marcado pelo entusiasmo, onde o vocalista Marc Labelle chegou a cantar pertinho da grade. Além dele, a banda tem John Notto (guitarra), Justin Smolian (baixo) e Jaydon Bean (bateria).
Eles já estiveram por aqui antes
Yngwie Malmsteen é um virtuoso que fez revolução com sua guitarra. Com uma contribuição inegável para o heavy metal, o guitarrista não é uma unanimidade entre o público, uma vez que já colecionou polêmicas – inclusive em território nacional, quando barrou duas bandas de abertura brasileiras em sua última passagem por aqui, em 2022.
Os problemas com o sistema de som também foram perceptíveis, sobretudo pela insatisfação que o músico demonstrou em relação a isso. Apesar de seu domínio impressionante quanto às técnicas na guitarra, Malmsteen não cativou o público devido a desconexão musical, uma vez que a maioria era formada por fãs de hard rock que esperavam por Lynyrd Skynyrd e Guns N’ Roses. Ele conseguiu reações da plateia na execução de Bohemian Rhapsody (Queen) e Smoke On The Water (Deep Purple).
Setlist – Yngwie Malmsteen
- Rising Force
- Top Down, Foot Down
- No Rest For The Wicked
- Soldier
- Into Valhalla
- Baroque & Roll
- Relentless Fury
- Now Your Ships Are Burned
- Wolves At The Door
- Paganini’s 4th
- Adagio
- Far Beyond The Sun
- Bohemian Rhapsody (cover do Queen)
- Fire And Ice
- Evil Eye
- Smoke On The Water (cover do Deep Purple)
- Trilogy (Vengeance)
- Badinere
- Solo de guitarra
- Black Star
- I’ll See The Light Tonight

Setlist – Halestorm
- Fallen Star
- Mz. Hyde
- I Miss the Misery
- Love Bites (So Do I)
- WATCH OUT!
- Like a Woman Can
- I Get Off
- Familiar Taste of Poison
- Rain Your Blood on Me
- Freak Like Me
- Wicked Ways
- I Gave You Everything
Pela quarta vez no Brasil – a primeira em 10 anos, o Halestorm demonstrou ser uma banda que evolui a cada nova fase. Os gritos potentes da enérgica Lzzy Hale, uma das maiores frontwoman do rock mundial, convencem o público disso com facilidade, mesmo com uma estratégia curiosa no setlist – alguns dos maiores sucessos ocuparam o começo do show. Embora sejam vistos como um nome de força na nova geração, o Halestorm está em atividade desde 1997, acumulando atitude e carisma a cada ano que passa. Além da vocalista, a banda conta com Joe Hottinger na guitarra, Josh Smith no baixo e Arejay Hale, irmão de Lzzy, na bateria.
o Extreme voltou ao Brasil pela quarta vez – a última foi há menos de três anos, em outubro de 2023. A fórmula não mudou tanto, embora o setlist tenha sido, em partes, dedicado ao álbum mais recente da banda, Six (2023). Duas das principais figuras, o vocalista Gary Cherone e o guitarrista Nuno Bettencourt entregaram técnica e um carisma enorme numa performance que não deixou os grandes hits de lado, embora tenha deixado uma sensação de que poderiam ter mostrado mais. A vitalidade dos veteranos foi crucial para mostrar que, 34 anos após sua estreia no Brasil, o Extreme passa longe do mero protocolo em suas apresentações. A banda conta ainda com Pat Badger (baixo) e Kevin Figueiredo (bateria).
Setlist – Extreme
- It (‘s a Monster)
- Decadence Dance
- #Rebel
- Play With Me
- Am I Ever Gonna Change
- Thicker Than Blood
- Hole Hearted
- Midnight Express
- More Than Words
- Get the Funk Out
- Rise
Sustentando um legado

O Lynyrd Skynyrd é uma banda cujo legado sobrevive através da distância. O trágico acidente de avião, em 1977, levou o vocalista Ronnie Van Zant e os irmãos Steve (guitarra) e Cassie Gaines (backing vocals). A banda passou por um hiato de 10 anos e voltou, em 1987, liderada por Johnny Van Zant, irmão de Ronnie.
O guitarrista Rickey Medlocke é o único vínculo com o passado do grupo, tendo sido baterista por um curto período na década de 70 – embora não tenha participado de nenhum registro. Dessa forma, a formação atual do Lynyrd Skynyrd não conta com nenhum sobrevivente do desastre aéreo ou integrantes que tenham gravado os seus maiores sucessos. O guitarrista Gary Rossington foi o membro mais longevo da banda, permanecendo desde a sua fundação até a sua morte, em 2023.
Os músicos que compõem a atual formação têm a consciência de que fazem parte de um “tributo”. Isso só gera confusão quando a banda anuncia os integrantes como “membros do Rock and Roll Hall of Fame” – já que nenhum estava no período da sua entrada. Mas isso não é empecilho para o público que se viu carregado de todas as emoções que o show proporcionou. Entre hits e homenagens aos músicos falecidos que passaram na banda, o Lynyrd Skynyrd entregou um dos shows mais aclamados do festival.
Setlist – Lynyrd Skynyrd
- Workin’ for MCA
- What’s Your Name
- That Smell
- I Need You
- Gimme Back My Bullets
- Saturday Night Special
- Down South Jukin’
- Still Unbroken
- The Needle And The Spoon
- Tuesday’s Gone
- Simple Man
- Gimme Three Steps
- Call Me The Breeze (original de J.J. Cale)
- Red White & Blue (Love It Or Leave) (trecho)
- Sweet Home Alabama
- Bis:
- Free Bird
Mais que veteranos: Guns N’ Roses

Há pelo menos 25 anos, o Guns N’ Roses é alvo de análises e críticas devido ao desempenho de seu vocalista. Não é como se tudo tivesse sido perfeito mesmo durante o auge – memórias afetivas do Rock in Rio 1991 costumam esquecer que a voz de Axl Rose estava estranha naquelas apresentações. Isso se intensificou a partir de 2001, quando o líder da banda adotou uma nova abordagem para preservar a voz, o que não agradou a maior parte dos fãs. Entre idas e vindas, ele buscou recuperar o símbolo que o tornou gigante – e conseguiu, em determinados momentos. A volta do guitarrista Slash e do baixista Duff McKagan, em 2016, coincidiu com uma situação inusitada: Axl foi cantar no AC/DC. Há quem diga que foi o último suspiro de sua voz, que ainda trazia resquícios dos drives que ele utilizou desde o início. Mas, apesar de tudo o que dizem, Rose não parece se importar e ainda se esforça para entregar o que existe de mais próximo de seus registros originais.
É a 11ª passagem da banda no Brasil e o público continua incansável. Antes de subirem no palco do Monsters, o Guns esteve no mesmo Allianz Parque em outubro de 2025, menos de seis meses atrás. Isso não impediu os espectadores de lotarem o estádio para mais um show com os headliners da noite. A turnê, embora não seja exatamente a mesma, possui uma estrutura geral muito semelhante ao que se viu no ano passado. Ainda assim, os veteranos se mostram abertos para o improvável.
Na turnê que marcou a volta de Slash e Duff, o setlist possuía uma base que pouco mudava, embora trouxesse uma surpresa ou outra. Na atual fase, a banda se abre para explorar raridades e as mistura com os lançamentos recentes. O que se viu no Monsters foi um Guns N’ Roses com apenas duas certezas: qual música irá abrir e qual encerrará o show.
Para sempre, haverá um Axl Rose com “voz de Mickey” na boca dos críticos. Mas dificilmente isso é lembrado quando as primeiras notas de Welcome To The Jungle surgem no sistema de som. Claro que o desempenho do vocalista fica aquém do esperado em alguns, mesmo considerando que a maioria já sabe o que irá assistir. Ainda assim, a química entre os integrantes da banda e a presença de palco faz com que as coisas tenham sentido. Isso se percebe principalmente em sucessos como It’s So Easy, Rocket Queen, You Could Be Mine e Nightrain. Também houve espaço para uma homenagem a Ozzy Osbourne, com Junior’s Eyes, do Black Sabbath.
O setlist acabou excluindo alguns grandes sucessos, como Patience e Don’t Cry, mas abriu espaço para um “lado B”, com Dead Horse, além de outros covers. Entre os últimos lançamentos da banda, o público cantou junto em Nothin’, que foi muito bem recebida. E a maior surpresa ficou por conta de Bad Apples, que não era tocada desde 1991.
Uma banda com excelente química e um desempenho sólido de Axl. O vocalista teve mais altos que baixos e desempenhou seu papel sem maiores problemas, demonstrando um bom humor na interação com o público.
Setlist – Guns N’ Roses
- Welcome to the Jungle
- Slither (cover de Velvet Revolver)
- It’s So Easy
- Live and Let Die (cover de Wings)
- Mr. Brownstone
- Bad Obsession
- Rocket Queen
- Perhaps
- Dead Horse
- Double Talkin’ Jive
- Nothin’
- You Could Be Mine
- Civil War
- Junior’s Eyes (cover de Black Sabbath)
- Knockin’ on Heaven’s Door (cover de Bob Dylan)
- New Rose (cover de The Damned [Duff McKagan nos vocais])
- Atlas
- Solo de guitarra de Slash
- Sweet Child O’ Mine
- Estranged
- Bad Apples
- November Rain
- Nightrain
- Paradise City









