O Wireless Festival perdeu o patrocínio da Pepsi, uma parceria que já durava há mais de uma década. A decisão ocorreu após o anúncio de Kanye West como atração principal do evento. O festival está marcado para os dias 10, 11 e 12 de junho.
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O comunicado da Pepsi foi enviado a diversos veículos de imprensa britânicos. Embora não cite nominalmente o rapper, o texto foi divulgado apenas algumas horas depois do anúncio de que Kanye estaria no festival.
O evento era promovido sob o nome “Pepsi MAX Presents Wireless” desde 2015. Neste domingo (5), a empresa apenas afirmou que “A Pepsi decidiu retirar seu patrocínio ao Wireless Festival”.
A reação da Pepsi não foi isolada. Outra empresa, a Diageo, multinacional responsável pela Johnnie Walker, também anunciou que deixará de apoiar o evento.
Nem mesmo o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, poupou o festival de críticas pela contratação do show do rapper. Ele se pronunciou publicamente sobre o assunto em declaração ao jornal The Sun, antes mesmo do anúncio da Pepsi.
“É profundamente preocupante que Kanye West tenha sido contratado para se apresentar no Wireless Festival, apesar de suas declarações antissemitas anteriores e de sua homenagem ao nazismo”. Ele completou: “O antissemitismo, em qualquer forma, é abominável e deve ser combatido com firmeza onde quer que apareça. Todos têm a responsabilidade de garantir que a Grã-Bretanha seja um lugar onde os judeus se sintam seguros.” – Keir Starmer

As polêmicas de Kanye
Há pelo menos quatro anos, Kanye West acumula declarações abertamente nazistas em seus perfis oficiais, sobretudo no X (antigo Twitter). Em 2025, o rapper lançou uma música chamada “Heil Hitler”, que foi imediatamente banida de todas as plataformas digitais. No início deste ano, Kanye publicou um pedido de desculpas em um anúncio que foi financiado pela sua própria marca, a Yeezy. O texto foi parar no Wall Street Journal.
“Lamento e estou profundamente envergonhado pelas minhas ações nesse estado, e estou comprometido com a responsabilização, o tratamento e mudanças significativas. Isso, porém, não justifica o que fiz. Eu não sou nazista nem antissemita. Eu amo o povo judeu”. Em outro trecho, reconheceu ter “perdido o contato com a realidade.” – Kanye West
Outros efeitos
Além das consequências sofridas pelo festival, causadas pela retirada do apoio por parte dos patrocinadores, o próprio Kanye West poderá ser diretamente afetado em território britânico. Segundo o jornal The Guardian, há movimentações políticas no que dizem respeito ao banimento do músico no Reino Unido, uma vez que ele ainda não entrou com o pedido de entrada pelo consulado. O líder dos Democratas Liberais, Ed Davey, pediu ao governo para proibir a entrada no rapper. “Precisamos ser mais rigorosos com o antissemitismo”, disse ele.








