Bad Bunny no Super Bowl: espetáculo cultural que acendeu debates políticos e dividiu opiniões na mídia

O artista porto-riquenho Bad Bunny protagonizou, no domingo (8), um dos momentos mais marcantes e debatidos da história recente do Super Bowl ao comandar o espetáculo do intervalo do Super Bowl LX no Levi’s Stadium. Sua apresentação, celebrada por milhões como uma reverência à cultura latina e afirmativa de identidade, também explodiu em discussões políticas e culturais amplamente repercutidas em redes sociais e veículos de comunicação nos Estados Unidos e no mundo.

A apresentação, praticamente toda em espanhol, reafirmou também a resistência dos imigrantes, que têm sido alvos do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) e vem sofrendo uma das repressões mais duras da história norte-americana. 

Bad Bunny, cujo nome real é Benito Antonio Martínez Ocasio, tornou-se o primeiro artista latino a liderar sozinho o show do intervalo cantando majoritariamente em espanhol, um marco que muitos comentadores descrevem como “um reflexo da diversidade cultural contemporânea dos EUA”.

Leia também: Cadillac aproveita Super Bown e exibe carro para a Fórmula 1: Bad Bunny no Super Bowl: espetáculo cultural que acendeu debates políticos e dividiu opiniões na mídia

O astro abriu a performance com Tití Me Preguntó, faixa do álbum Un Verano Sin Tí (2022), e “Yo Perreo Sola”, do YHLQMDLG (2020), e seguiu com sucessos do reggaeton como “Safaera”, “Party”, “Voy a Llevarte a PR” e “EoO”. Lady Gaga se uniu ao porto-riquenho para apresentar uma versão salsa de “Die With a Smile”, enquanto Ricky Martin fez uma participação na faixa “LO QUE LE PASÓ A HAWAii“.

Além de momentos simbólicos que misturaram tradição e espetáculo contemporâneo, como um casamento real celebrado no palco e uma mensagem de união que ressaltou a frase “Together, we are America” em uma bola de futebol americano, reforçando a mensagem de união do continente americano.

Reprodução/NFL

Repercussão entre celebridades e na cultura pop

Nas redes sociais, o show foi amplamente elogiado por artistas e figuras públicas de diferentes áreas, principalmente aquelas não-estadounidenses, como latinos e asiáticos. Celebridades como Kerry Washington, Kacey Musgraves, Camila Cabello, J-Hope, Rosé e Jennifer Lopez destacaram a energia e a emoção do espetáculo, elogiando tanto a performance quanto sua conexão cultural e emocional.

O cantor de rock americano John Mellencamp, disse não entender as letras em espanhol, ainda assim afirmou: “Não sei o que Bad Bunny está dizendo, mas sei que ele está defendendo Porto Rico e eu o estou defendendo. Sua apresentação no intervalo do Super Bowl foi ótima.”

Alguns atletas como Donovan Mitchell, Cam Jordan, Budda Baker e Jalen Brunson manifestaram seu apreço pelo show, além de influenciadores e nomes da televisão, a resposta também foi majoritariamente positiva, com muitos compartilhando vídeos e aplaudindo a ousadia artística do repertório apresentado.

Declarações políticas 

Entretanto, a cobertura política do show rapidamente transformou um evento cultural em um campo de batalha simbólico. O presidente dos EUA Donald Trump criticou duramente a performance, chegando a chamá-la de “uma afronta à grandeza da América” e a um dos piores espetáculos da história do Super Bowl, que não representa os “padrões de sucesso, criatividade ou excelência” que ele defende.

Outros comentaristas conservadores reforçaram essa narrativa, expressando insatisfação com a predominância do espanhol no show ou organizando eventos alternativos, como a iniciativa do grupo conservador Turning Point USA de transmitir um “All-American Halftime Show” focado em artistas de música tradicional americana.

Em contraste, políticos e figuras progressistas celebraram a escolha de Bad Bunny como um símbolo de inclusão e diversidade. O governador da Califórnia, Gavin Newsom, por exemplo, celebrou o artista como representação da pluralidade cultural norte-americana.

Latinidade universal

A apresentação reacendeu debates sobre a presença de línguas não-inglês no entretenimento mainstream americano. Comentadores de diferentes espectros políticos usaram o evento para discutir a evolução cultural dos EUA, a relação entre expressão artística e identidade nacional, e os limites entre arte e política num evento com audiência global.

Alguns críticos mais radicais, como diversos influenciadores conservadores, chegaram a criticar o uso intenso do espanhol como “anti-americano”, enquanto outros observadores culturais apontaram que a reação exacerba antigos conflitos sobre quem “define” a cultura americana.

Apesar das críticas, Bad Bunny trouxe para o Levi ‘s Stadium um pedaço da vivência latina, para além do cenário, o artista mostrou referências profundamente latinas e foi capaz de conectar toda a América em sua apresentação de 13 minutos. 

Confira as principais referências:  

A cana-açúcar representa o pilar econômico da história de Porto Rico, assim como o café foi a base da economia brasileira por muitos anos. 

Foto: Neilson Barnard/GETTY IMAGES NORTH AMERICA/Getty Images via AFP

A “casita” que abrigou diversas personalidades como Pedro Pascal, Karol G e Cardi B durante a apresentação é uma réplica das casas típicas das comunidades rurais da ilha.

 Kevin Mazur/Getty Images for Roc Nation

O discurso do artista ao receber seu Grammy de ‘Álbum do ano’ na semana passada foi reproduzido durante a apresentação como uma mensagem para inspirar a nova geração de artistas latinos.

 Reprodução/NFL

Os postes de luz representam a grave crise energética que atinge Porto Rico. 

Reprodução/NFL

A união dos países em “God Bless America and…”, citando todos os países do continente americano, reforça a mensagem de que todos somos um só, mesmo que queiram apagar e dominar a cultura latina. 

Reprodução/NFL

Um dos maiores símbolos de rejeição à dominação norte americana no território porto-riquenho, a bandeira em azul claro, resgatando a cor original da bandeira e renegando a influência dos Estados Unidos, foi levantada pelo próprio Benito.

 Kevin Sabitus/Getty Images
Acesse o nosso canal no Telegram
Acesse o nosso canal no WhatsApp
Acesse o nosso canal no Youtube
: Bad Bunny no Super Bowl: espetáculo cultural que acendeu debates políticos e dividiu opiniões na mídia

O impacto além do campo e dos palcos

Mais do que entretenimento, a performance de Bad Bunny serviu como um símbolo do papel crescente da cultura latina nos EUA e no mundo.

Seja na música, seja na política e na mídia, o artista, já conhecido por suas posições públicas sobre temas como imigração e direitos civis, transformou o intervalo do Super Bowl não apenas numa celebração artística, mas também em um momento de afirmação simbólica que reverberou muito além das quatro linhas do campo.

Autor

Marcado:

Deixe um Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *