5 filmes que completam 50 anos em 2026

O cinema e as demais artes seguem o fluxo de produção vigente com as transformações de caráter tecnológico e as mudanças de comportamento e relações da sociedade.

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Recordar o passado é um ato frequente do cinema. Suas produções são a base para o hoje e constituem um fator de nostalgia e de prestígio. Ao voltarmos para o passado, revisitamos clássicos que tornaram o cinema uma poderosa indústria e meio cultural.

Marcel Martin (1926 – 2016), um dos teóricos e críticos do cinema, na introdução de sua clássica obra Linguagem Cinematográfica, escrita 90 anos após a convencional origem do cinema em 1895, nos traz uma importante constatação.

O autor aponta que não seria presunçoso afirmar que, pelo menos, nessa história, cerca de 50 filmes seriam tão preciosos quanto a Ilíada, o Partenon, a Capela Sistina, a Mona Lisa, a Nona Sinfonia. Para o autor, a destruição das obras fílmicas empobreceria da mesma forma o patrimônio artístico e cultural da humanidade.

Em 2026, importantes obras cinematográficas completam 50 anos. A seguir, apresentamos uma lista de cinco produções que marcaram a história do cinema.

Carrie, a Estranha (Carrie)

Carrie White sendo coroada rainha no baile em Carrie, a Estranha, de Brian de Palma (1976) – Foto: Divulgação/Coletivo Crítico.

O clássico que deu origem a outras obras, parodiada, referenciada e reverenciada em diversas artes, Carrie, a Estranha, marcou gerações. O filme foi roteirizado por Lawrence D. Cohen e dirigido por Brian De Palma. É uma adaptação do romance escrito por Stephen King, publicado em 1974.

A sinopse escrita por Rafael W. Oliveira para o site Plano Crítico nos coloca no cerne da narrativa:

Carry White (Sissy Spacek) é uma jovem que não faz amigos em virtude de morar em quase total isolamento com Margareth (Piper Laurie), sua mãe e uma pregadora religiosa cada vez mais ensandecida. Carrie foi menosprezada pelas colegas num incidente, sua professora fica espantada pela sua falta de informação e Sue Snell (Amy Irving), uma das alunas que zombaram dela, fica arrependida e pede a Tommy Ross (William Katt), seu namorado e um aluno muito popular, para que convide Carrie para um baile no colégio. Mas Chris Hargenson (Nancy Allen), uma aluna que foi proibida de ir à festa, prepara uma terrível armadilha para deixar Carrie ridicularizada em público…

Ao completar 50 anos, voltamos à “menarca assassina”, título atribuído por Diana Lichtenstein Corso e Mário Corso no livro Adolescência em Cartaz: filmes e psicanálise para entendê-la. O filme em questão aborda temas como: descoberta da sexualidade, fanatismo religioso e bullying que marcam a obra e a tornaram, aliada às atuações e todo o conjunto dramático, um dos grandes clássicos cinematográficos.

Rever Carrie, a Estranha, é um convite a adentrar não apenas na sociedade em que a produziu, mas na nossa sociedade com problemáticas sociais e transformações culturais. Visualizar o horror da adolescente em seu baile é poder contemplar o drama elevado até as últimas consequências.

Dona Flor e seus Dois Maridos

Cena do filme Dona Flor e Seus Dois Maridos com Sônia Braga, José Wilker e Mauro Mendonça, dirigido por Bruno Barreto (1976) – Foto: Divulgação/Folha de São Paulo.

A comédia brasileira adaptada do livro homônimo de Jorge Amado, publicado em 1966, foi por mais de 30 anos recordista em bilheterias nas salas de cinema aqui no Brasil.

O filme foi dirigido por Bruno Barreto, que escreveu o roteiro com Eduardo Coutinho e Leopoldo Serran.

A sinopse escrita por Leonardo Campos para o site Plano Crítico nos ajuda a compreender a peculiaridade desta produção brasileira que se tornou tão relevante em nosso país:

Época de mudanças estruturais e culturais, o Largo da Palma, no Pelourinho, abre espaço para a trajetória de Florípedes, vulgo Dona Flor (Sônia Braga), mulher com dotes culinários que precisa agir com bastante paciência com seu marido Vadinho (José Wilker), um homem machista, asqueroso e viciado em jogos. Certo dia, durante o carnaval de 1943, o malandro morre em plena festa. Desesperada, Flor fica em prantos e passa bastante tempo de luto […] o filme nos mostra a evolução da esposa, mais adiante, cortejada por Teodoro (Mauro Mendonça), um homem metódico, gentil, ideal para casar, tamanho o recato e respeito pelas tradições. O problema é que Vadinho volta do além para atormentar a vida de sua antiga esposa. Ela é a única capaz de vê-lo. Dividida entre a saudade dos seus carinhos e afetação sexual, algo que falta na relação com o novo marido socialmente ideal, Flor precisa resolver a questão e sair de uma vez por todas desse dilema.

Dona Flor e seus Dois Maridos ousou abordar a sexualidade feminina, a poligamia. Explorou camadas psicológicas bastante interessantes com humor que transformou a obra em uma das mais notáveis e memoráveis já feitas no Brasil.

Retornar à obra é uma oportunidade para acompanharmos esta divertida comédia que explora diversas camadas da personalidade humana por meio da imagem.

No Mundo do Cinema (Nickelodeon)

Leo Harrigan (Ryan O’Neal) e demais membros de sua equipe de produção em No Mundo do Cinema, de Peter Bogdanovich (1976) – Foto: Divulgação/Thisislandrod.

No Mundo do Cinema é um dos filmes mais esquecidos e negligenciados da história. Foi dirigido por Peter Bogdanovich que o roteirizou com W. D. Richter. É supostamente baseado em histórias reais contadas por diretores da época do cinema mudo, também chamado cinema silencioso.

A sinopse desenvolvida pelo site A Janela Encantada nos ajuda a compreender o contexto em que se passa a narrativa:

Leo Harrigan (Ryan O’Neal) é um mal-sucedido advogado que passa a trabalhar para H. H. Cobb (Brian Keith), um produtor independente de filmes. Harrigan é enviado para Oeste, onde deve dirigir uma equipe deixada a “deus dará”. Pelo caminho, Harrigan se depara com a bela Kathleen Cooke (Jane Hitchcock), a qual terá também encontros fortuitos com o aventureiro Buck Greenway (Burt Reynolds). Quer a fortuna que os três se reencontrem na equipe de Harrigan, que vai produzindo filmes mudos, uns atrás dos outros, com o operador Franklin Frank (John Ritter) e a pequena Alice (Tatum O’Neal) que se torna argumentista, adaptando ideias de Shakespeare. Mas as dificuldades criadas pela Edison Trust, trazidas pelo triângulo amoroso entre Harrigan, Cooke e Greenway, e a incompatibilidade da equipe com as produtoras, quase deixa tudo a perder, até a inspiração voltar, depois de verem como o cinema passa dos pequenos nickelodeons para grandes salas.

O filme traz uma abordagem interessante: a produção de filmes anteriores ao cinema narrativo como conhecemos hoje. Mostra-nos as dificuldades e os desafios de uma época em que o cinema caminhava a passos pequenos, mas com divertidas improvisações e maneiras de se produzir e exibir os filmes.

Revisitar (para a maioria das pessoas, conhecer) No Mundo do Cinema é ter contato com um pouco dos primeiros anos dessa arte, seus produtores, seu modo de criação, improvisação e compreender como chegamos ao cinema narrativo que, por tanto tempo, tem sido recorrente na indústria cultura cinematográfica.

Rocky, um Lutador (Rocky)

Sylvester Stallone no papel de Rocky em Rocky, um Lutador, de John G. Avildsen (1976) – Foto: Divulgação/CNN Brasil.

O drama esportivo que levou a estatueta de Melhor Filme do Oscar tornou-se célebre no cinema e chamou a atenção para o talento de Sylvester Stallone como ator e roteirista. O filme em questão foi dirigido por John G. Avildsen.

A sinopse escrita por Matheus Fragata para o site Plano Crítico nos lembra a narrativa em questão:

Rocky Balboa é um lutador profissional classe “z” que ganha a vida transitando entre porradas no ringue e durante as extorsões que ele faz para mafiosos da Filadélfia. Porém, sua vida muda completamente ao receber um convite inesperado para lutar contra o campeão da liga mundial, a lenda vida, Apollo Creed. O homem de gostos simples, fala arrastada, traquejo social enrustido, aceita o convite que mudará sua sofrida história.

Temas como desemprego, solidão, a luta enquanto esporte e enquanto metáfora de sobrevivência, além do “sonho americano” perpassam a obra e a tornaram presente ainda hoje no imaginário popular.

Retornar a Rocky, um Lutador é um ato de conhecimento de nós e de nossa luta diária. É olhar-se no espelho e nos transportar para nossa trajetória com objetivos alcançados e perdas pelo caminho.

Táxi Driver: Motorista de Táxi (Taxi Driver)

Robert De Niro no papel de Travis Bickle em Táxi Driver: Motorista de Táxi, de Martin Scorsese(1976) – Foto: Divulgação/Feededigno.

Drama e crime marcam a narrativa de Táxi Driver: Motorista de Táxi, vencedor da Palma de Ouro, de Melhor Filme, no Festival de Cannes. O roteiro é de Paul Schrader, e a direção de Martin Scorsese.

A sinopse escrita por Danilo Fantinel para o site Papo de Cinema nos recorda a trama em questão:

Em Nova York, Travis Bickle, 26 anos, é um veterano da Guerra do Vietnã, solitário no meio da grande metrópole pela qual vagueia noite adentro. Quando começa a trabalhar como motorista de taxi no turno da noite, nele vai crescendo um sentimento de revolta pela miséria, o vício, a violência e a prostituição que estão sempre à sua volta.

Temas como solidão, higienização social, violência e prostituição são algumas das várias abordagens na obra que chegaram a escandalizar as pessoas na época.

Retornar à obra em questão é refletir sobre temas que parecem distantes de nós, mas estão presentes e atuantes em nosso meio.

Autor

  • Diogo

    Diogo Berns é formado em Cinema, com mestrado e doutorado em Estudos da Tradução, na área de adaptações audiovisuais (UFSC). Especialista em Música Litúrgica (UNISAL).
    Professor conteudista, revisor textual, redator e roteirista de games, videoaulas e podcasts na área EaD.
    Possui experiência com audiobooks - voz, direção e edição de som - edição de vídeos, social media e diretor de vídeo institucional.

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