O cinema e as demais artes seguem o fluxo de produção vigente com as transformações de caráter tecnológico e as mudanças de comportamento e relações da sociedade.
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Recordar o passado é um ato frequente do cinema. Suas produções são a base para o hoje e constituem um fator de nostalgia e de prestígio. Ao voltarmos para o passado, revisitamos clássicos que tornaram o cinema uma poderosa indústria e meio cultural.
Marcel Martin (1926 – 2016), um dos teóricos e críticos do cinema, na introdução de sua clássica obra Linguagem Cinematográfica, escrita 90 anos após a convencional origem do cinema em 1895, nos traz uma importante constatação.
O autor aponta que não seria presunçoso afirmar que, pelo menos, nessa história, cerca de 50 filmes seriam tão preciosos quanto a Ilíada, o Partenon, a Capela Sistina, a Mona Lisa, a Nona Sinfonia. Para o autor, a destruição das obras fílmicas empobreceria da mesma forma o patrimônio artístico e cultural da humanidade.
Em 2026, importantes obras cinematográficas completam 50 anos. A seguir, apresentamos uma lista de cinco produções que marcaram a história do cinema.
Carrie, a Estranha (Carrie)

O clássico que deu origem a outras obras, parodiada, referenciada e reverenciada em diversas artes, Carrie, a Estranha, marcou gerações. O filme foi roteirizado por Lawrence D. Cohen e dirigido por Brian De Palma. É uma adaptação do romance escrito por Stephen King, publicado em 1974.
A sinopse escrita por Rafael W. Oliveira para o site Plano Crítico nos coloca no cerne da narrativa:
Carry White (Sissy Spacek) é uma jovem que não faz amigos em virtude de morar em quase total isolamento com Margareth (Piper Laurie), sua mãe e uma pregadora religiosa cada vez mais ensandecida. Carrie foi menosprezada pelas colegas num incidente, sua professora fica espantada pela sua falta de informação e Sue Snell (Amy Irving), uma das alunas que zombaram dela, fica arrependida e pede a Tommy Ross (William Katt), seu namorado e um aluno muito popular, para que convide Carrie para um baile no colégio. Mas Chris Hargenson (Nancy Allen), uma aluna que foi proibida de ir à festa, prepara uma terrível armadilha para deixar Carrie ridicularizada em público…
Ao completar 50 anos, voltamos à “menarca assassina”, título atribuído por Diana Lichtenstein Corso e Mário Corso no livro Adolescência em Cartaz: filmes e psicanálise para entendê-la. O filme em questão aborda temas como: descoberta da sexualidade, fanatismo religioso e bullying que marcam a obra e a tornaram, aliada às atuações e todo o conjunto dramático, um dos grandes clássicos cinematográficos.
Rever Carrie, a Estranha, é um convite a adentrar não apenas na sociedade em que a produziu, mas na nossa sociedade com problemáticas sociais e transformações culturais. Visualizar o horror da adolescente em seu baile é poder contemplar o drama elevado até as últimas consequências.
Dona Flor e seus Dois Maridos

A comédia brasileira adaptada do livro homônimo de Jorge Amado, publicado em 1966, foi por mais de 30 anos recordista em bilheterias nas salas de cinema aqui no Brasil.
O filme foi dirigido por Bruno Barreto, que escreveu o roteiro com Eduardo Coutinho e Leopoldo Serran.
A sinopse escrita por Leonardo Campos para o site Plano Crítico nos ajuda a compreender a peculiaridade desta produção brasileira que se tornou tão relevante em nosso país:
Época de mudanças estruturais e culturais, o Largo da Palma, no Pelourinho, abre espaço para a trajetória de Florípedes, vulgo Dona Flor (Sônia Braga), mulher com dotes culinários que precisa agir com bastante paciência com seu marido Vadinho (José Wilker), um homem machista, asqueroso e viciado em jogos. Certo dia, durante o carnaval de 1943, o malandro morre em plena festa. Desesperada, Flor fica em prantos e passa bastante tempo de luto […] o filme nos mostra a evolução da esposa, mais adiante, cortejada por Teodoro (Mauro Mendonça), um homem metódico, gentil, ideal para casar, tamanho o recato e respeito pelas tradições. O problema é que Vadinho volta do além para atormentar a vida de sua antiga esposa. Ela é a única capaz de vê-lo. Dividida entre a saudade dos seus carinhos e afetação sexual, algo que falta na relação com o novo marido socialmente ideal, Flor precisa resolver a questão e sair de uma vez por todas desse dilema.
Dona Flor e seus Dois Maridos ousou abordar a sexualidade feminina, a poligamia. Explorou camadas psicológicas bastante interessantes com humor que transformou a obra em uma das mais notáveis e memoráveis já feitas no Brasil.
Retornar à obra é uma oportunidade para acompanharmos esta divertida comédia que explora diversas camadas da personalidade humana por meio da imagem.
No Mundo do Cinema (Nickelodeon)

No Mundo do Cinema é um dos filmes mais esquecidos e negligenciados da história. Foi dirigido por Peter Bogdanovich que o roteirizou com W. D. Richter. É supostamente baseado em histórias reais contadas por diretores da época do cinema mudo, também chamado cinema silencioso.
A sinopse desenvolvida pelo site A Janela Encantada nos ajuda a compreender o contexto em que se passa a narrativa:
Leo Harrigan (Ryan O’Neal) é um mal-sucedido advogado que passa a trabalhar para H. H. Cobb (Brian Keith), um produtor independente de filmes. Harrigan é enviado para Oeste, onde deve dirigir uma equipe deixada a “deus dará”. Pelo caminho, Harrigan se depara com a bela Kathleen Cooke (Jane Hitchcock), a qual terá também encontros fortuitos com o aventureiro Buck Greenway (Burt Reynolds). Quer a fortuna que os três se reencontrem na equipe de Harrigan, que vai produzindo filmes mudos, uns atrás dos outros, com o operador Franklin Frank (John Ritter) e a pequena Alice (Tatum O’Neal) que se torna argumentista, adaptando ideias de Shakespeare. Mas as dificuldades criadas pela Edison Trust, trazidas pelo triângulo amoroso entre Harrigan, Cooke e Greenway, e a incompatibilidade da equipe com as produtoras, quase deixa tudo a perder, até a inspiração voltar, depois de verem como o cinema passa dos pequenos nickelodeons para grandes salas.
O filme traz uma abordagem interessante: a produção de filmes anteriores ao cinema narrativo como conhecemos hoje. Mostra-nos as dificuldades e os desafios de uma época em que o cinema caminhava a passos pequenos, mas com divertidas improvisações e maneiras de se produzir e exibir os filmes.
Revisitar (para a maioria das pessoas, conhecer) No Mundo do Cinema é ter contato com um pouco dos primeiros anos dessa arte, seus produtores, seu modo de criação, improvisação e compreender como chegamos ao cinema narrativo que, por tanto tempo, tem sido recorrente na indústria cultura cinematográfica.
Rocky, um Lutador (Rocky)

O drama esportivo que levou a estatueta de Melhor Filme do Oscar tornou-se célebre no cinema e chamou a atenção para o talento de Sylvester Stallone como ator e roteirista. O filme em questão foi dirigido por John G. Avildsen.
A sinopse escrita por Matheus Fragata para o site Plano Crítico nos lembra a narrativa em questão:
Rocky Balboa é um lutador profissional classe “z” que ganha a vida transitando entre porradas no ringue e durante as extorsões que ele faz para mafiosos da Filadélfia. Porém, sua vida muda completamente ao receber um convite inesperado para lutar contra o campeão da liga mundial, a lenda vida, Apollo Creed. O homem de gostos simples, fala arrastada, traquejo social enrustido, aceita o convite que mudará sua sofrida história.
Temas como desemprego, solidão, a luta enquanto esporte e enquanto metáfora de sobrevivência, além do “sonho americano” perpassam a obra e a tornaram presente ainda hoje no imaginário popular.
Retornar a Rocky, um Lutador é um ato de conhecimento de nós e de nossa luta diária. É olhar-se no espelho e nos transportar para nossa trajetória com objetivos alcançados e perdas pelo caminho.
Táxi Driver: Motorista de Táxi (Taxi Driver)

Drama e crime marcam a narrativa de Táxi Driver: Motorista de Táxi, vencedor da Palma de Ouro, de Melhor Filme, no Festival de Cannes. O roteiro é de Paul Schrader, e a direção de Martin Scorsese.
A sinopse escrita por Danilo Fantinel para o site Papo de Cinema nos recorda a trama em questão:
Em Nova York, Travis Bickle, 26 anos, é um veterano da Guerra do Vietnã, solitário no meio da grande metrópole pela qual vagueia noite adentro. Quando começa a trabalhar como motorista de taxi no turno da noite, nele vai crescendo um sentimento de revolta pela miséria, o vício, a violência e a prostituição que estão sempre à sua volta.
Temas como solidão, higienização social, violência e prostituição são algumas das várias abordagens na obra que chegaram a escandalizar as pessoas na época.
Retornar à obra em questão é refletir sobre temas que parecem distantes de nós, mas estão presentes e atuantes em nosso meio.









