Planejamento familiar antes da gravidez ganha espaço e inclui genética e medicina fetal nas decisões dos casais

O planejamento familiar antes da gestação tem se consolidado como uma das prioridades de muitos casais que desejam ter filhos de forma mais consciente e segura. Em meio às resoluções de início de ano, cresce a busca por avaliações médicas e genéticas pré-concepcionais, impulsionada por mudanças no perfil reprodutivo da população, como o adiamento da maternidade e da paternidade e o aumento das gestações após os 35 anos.

Segundo Heron Werner, especialista em Medicina Fetal do Alta Diagnósticos e da CDPI, o cuidado começa antes mesmo da concepção.

Quando o casal chega já orientado, com exames e informações prévias, conseguimos conduzir a gestação de forma mais segura e personalizada, explica.

Dentro desse planejamento, médicos recomendam uma avaliação completa da saúde reprodutiva, que pode incluir check-up geral, exames hormonais, testes laboratoriais, avaliação da fertilidade feminina — como a histerossalpingografia, exame que analisa as trompas uterinas — e testes genéticos pré-concepcionais, como a triagem de portadores e o cariótipo.

A atenção a esses cuidados ganha ainda mais relevância diante de dados globais. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a infertilidade afeta cerca de 15% dos casais em idade reprodutiva no mundo. As causas se distribuem de forma equilibrada: aproximadamente 40% têm origem feminina, 40% masculina e 20% resultam da combinação de fatores dos dois parceiros.

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Para o geneticista Gustavo Guida, do Sergio Franco e Bronstein, a genética ocupa papel central nesse cenário.

Muitas alterações associadas à infertilidade não apresentam sintomas. A investigação genética permite identificar fatores silenciosos que impactam diretamente as chances de gravidez e orienta o melhor caminho clínico desde o início, afirma.

Entre os exames disponíveis no Brasil está o Painel de Infertilidade, teste genético que analisa mais de 400 genes relacionados à infertilidade feminina e masculina, investigando condições como falência ovariana precoce, perda gestacional recorrente e alterações testiculares. A partir de uma simples amostra de sangue, o exame auxilia no diagnóstico e na definição de condutas clínicas mais assertivas.

Segundo Natália Gonçalves, superintendente de Pesquisa & Desenvolvimento e head de Reprodução Humana da Dasa Genômica, a genética tem transformado a investigação da infertilidade.

Em muitos casos, especialmente quando não há uma causa aparente ou quando tratamentos anteriores não tiveram sucesso, a análise genética traz respostas importantes e reduz incertezas, explica.

Além do Painel de Infertilidade, também fazem parte desse cuidado exames como o PregnancyLoss, voltado à investigação genética de abortos espontâneos recorrentes, e o PCGT (Painel de Portador), indicado para avaliar riscos de doenças genéticas recessivas antes da gestação ou em processos de fertilização in vitro. Testes desse tipo já são recomendados por sociedades médicas internacionais e, em alguns países, fazem parte de estratégias de cuidado populacional.

Para os especialistas, incluir a saúde reprodutiva nas metas do início do ano reflete uma mudança cultural. Quando o casal entende seu perfil genético antes da gestação, o planejamento se torna mais consciente, com menos desgaste emocional e mais segurança ao longo de toda a jornada”, conclui Natália Gonçalves.

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