Com a chegada do Carnaval, período marcado por grandes aglomerações e festas de rua, cresce também a preocupação com a segurança das mulheres, diante do aumento de relatos de assédio, agressões físicas e situações de risco. Especialistas alertam que a prevenção passa não apenas por evitar locais perigosos, mas por preparo, consciência situacional e conhecimento de técnicas de defesa pessoal.
Para Carina Santi, campeã mundial de jiu-jítsu, faixa-preta e fundadora da Almeida JJ Women & Kids Premium, a defesa pessoal é uma ferramenta essencial para que mulheres possam aproveitar o Carnaval com mais segurança.
“O jiu-jítsu não é sobre brigar, é sobre ocupar espaços com consciência, reconhecer perigos e saber sair de situações de risco quando necessário”, afirma.
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Segundo a atleta, o jiu-jítsu se diferencia por preparar mulheres para situações reais, mais comuns fora do ambiente esportivo, como agarrões por trás, tentativas de imobilização e quedas ao chão. A modalidade prioriza técnica, posicionamento e estratégia, permitindo que mulheres menores ou fisicamente mais leves consigam se defender de agressores maiores, sem depender de força bruta.
Durante o Carnaval, atitudes simples podem ajudar a evitar situações de risco. Manter atenção ao ambiente, observar comportamentos suspeitos, perceber quando amigos se afastam e identificar áreas isoladas são medidas fundamentais. Evitar distrações excessivas, como o uso constante do celular em meio à multidão, também contribui para uma resposta mais rápida diante de situações inadequadas.
Outra orientação importante é usar a voz como ferramenta de defesa. Falar alto, chamar atenção e pedir ajuda diante de atitudes invasivas costuma ser suficiente para afastar um possível agressor. O posicionamento corporal também faz diferença: manter distância, recuar diante de comportamentos invasivos e buscar locais iluminados e movimentados aumentam a segurança.
Em casos de tentativa de contato físico, como agarrões, técnicas básicas do jiu-jítsu, a exemplo de quebras de empunhadura, criação de espaço com movimentos de quadril e afastamento rápido, podem garantir tempo para escapar e buscar ajuda. “A ideia não é vencer uma luta, mas sair da situação com segurança”, reforça Carina.
A especialista também destaca que um dos maiores mitos sobre defesa pessoal é associá-la à força física. O jiu-jítsu demonstra que a proteção está ligada à inteligência corporal, uso de alavancas e controle, tornando a prática acessível a mulheres de diferentes idades, biotipos e níveis de condicionamento.
Além da proteção física, os benefícios incluem mais confiança, consciência corporal, imposição de limites e equilíbrio emocional, habilidades que impactam diretamente a forma como mulheres circulam em ambientes festivos e no cotidiano. “Defesa pessoal não é violência, é liberdade. É ocupar o mundo com consciência, não com medo”, conclui Carina Santi.








