Será que você entende o que estão te dizendo?

Já comecei esse texto com uma provocação, não é? Mas calma que será um texto leve e cheio de cor, eu acho. Gosto de dizer que a vida tem que ser colorida, cheia de perfumes florais e um tantinho doce, mas fresca. Pensando ainda nesse início de ano, que é um tempo tão frutífero para as ideias, e que os pensamentos estão acelerados, e ainda mais os meus, que já tentaram até remédio para frear esses danados, mas não resolveu nada, porque o causo é de nascença.

Nesses meus pensamentos, cheios de questionamentos, porque também nasci com a tramelinha das perguntas destravada, eu sempre me pergunto se de fato as pessoas estão entendendo o que as outras estão dizendo.

Óbvio que estamos fugindo das questões aparentes e clichês. Estou falando daquelas mensagens que estão ditas nas entrelinhas, nas notinhas de rodapé e que você nem percebe se não estiver muito atendo. E, nessa sociedade tão barulhenta, estamos sempre distraídos.

Longe de mim estar insinuando que você não presta atenção nas conversas que você participa. Aqui estou falando de ruídos que aparecem na comunicação entre você e os outros que parecem estar muito sutis, mas estão presentes, fazendo um coro de gritos silenciosos, e que disfarçam de fato o que a pessoa quer dizer e não estamos atentos para escutar.

Vamos a um exemplo, que parece bestinha, mas que acontece com tanta frequência que deveria ser comum e um grande alerta, tipo aquelas placas vermelhas de PARE. Você está no seu canto, na sua vidinha, no dia a dia, aí aparece a mensagem de um ser humano que claramente está querendo alguma coisa em benefício próprio. Aí, você que não está treinando para Madre Teresa (contém ironias pesadas) vai lá, responde e depois fica com aquele sentimento de ressaca moral. Você já sabia o que era, estavam lá todos os sinais, mas porque você caiu? Por que você se permitiu cair?

Outra situação que é muito comum, tão comum que virou até série famosa no Discovery: você virar um facilitador do mal do outro. Você não é a pessoa responsável pelo mal, mas você facilita a manutenção do mal que o outro está fazendo para sim mesmo. É como ver alguém à beira de um precipício, mas ao invés de você dar a mão, você empurra um pouco mais…

Aqui você vai me dizer que você não é dessas pessoas, que você jamais faria isso. Será que não?

Quando uma pessoa enfia o celular na cara de uma criança, que não sabe discernir o que é bom de ruim, para se livrar do peso da educação, na hora de uma refeição ou convivência social, ela está fazendo isso.

Quando a pessoa é responsável pelo alimento da família e todos estão obesos, está fazendo isso, está facilitando a obesidade, está com falta de alguma coisa, um buraco que precisa ser preenchido, mas com certeza não é fome de comida.
Quando os pais prendem o seu filho ou filha em casa, porque estão com medo que essa pessoa cresça, estão fazendo isso. Estão impedindo seus filhos de serem donos das próprias vidas, talvez por medo de ficarem só.

Quando você volta atrás em sua decisão, porque se arrependeu ou foi injustificada, mas nem sequer reconhece para si que cometeu o erro, você está fazendo isso. Está tentando se livrar da culpa, está se enganando, não está sequer se ouvindo, imagine ouvindo os outros?!

Mas, veja só. Somos humanos, cometemos erros todos os dias, mas os ruídos dessas decisões estão lá. Estão causando um mal-estar quase imperceptível se for visto isoladamente, mas que quando junta tudo, é um alarme gigantesco de um terremoto que pode destruir tudo, como aquele barulhinho bem pequeninho que você quase não ouve, mas que se persistir por horas, vira um incômodo gigante.
E é muito sério o que eu direi agora: se perceber esses traços em você, procure ajuda psicológica, você merece viver livre, não carregando pesos.

Confira “Filhos do Silêncio” de Andrea dos Santos

E, seguindo, eu volto a te perguntar a minha questão inicial. Será que de fato a gente escuta o que o outro quer nos dizer? Será que vivemos em uma sociedade que está apta a escutar o outro ou somente à nossa própria necessidade? E, ainda mais importante, será que estamos preparados para nos despirmos de nós mesmos para escutarmos aos outros, deixando nosso ego e nossas fraquezas de lado e pensando no bem que podemos fazer só de escutar de fato o que o outro tem a dizer?

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As respostas estarão aí dentro de você, naquele cantinho que você não quer que ninguém acesse, que você tem até vergonha de olhar, mas é preciso.

Até na Pixar, em Divertidamente, aprendemos que é na dor, na tristeza, no incômodo que crescemos, que evoluímos como seres humanos.

E que bom que estamos nessa jornada para isso. Desejo que você escute mais e ouça menos.

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Em tudo, lembre-se que FELICIDADE é uma construção e precisa de um tijolinho todos os dias para ela acontecer.

Beijo da Linda para você, até a próxima.

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