Mulheres também matam: histórias reais que quase ninguém conta

Vivemos uma era realmente violenta. E nós, do sexo feminino, somos constantemente subjugadas como frágeis ou, no máximo, como vítimas. Porém, pouco se fala que mulheres também matam. Existem diversas histórias fascinantes sobre criminosas impiedosas e, definitivamente, nada frágeis. Ainda assim, esses casos raramente recebem a mesma atenção que figuras como Ted Bundy ou Jeffrey Dahmer.

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Hoje trago quatro histórias de true crime em que as mulheres são as protagonistas.

Meu nome verdadeiro é Elisa. Não, nunca esquartejei ninguém, muito menos fui morta por um ex-atleta do Flamengo. No domingo (15), depois do jogo do Club de Regatas Vasco da Gama, o delivery que pedi chegou. O entregador soltou a piada que não escutava desde a faculdade:

“É Eliza Samudio ou Elize Matsunaga?”

Ao ouvir o nome, lembrei de um vídeo de comédia que tinha visto no Instagram alguns dias antes. Assista abaixo.

@porquegouveia

NEM O CORRETOR ORTOGRÁFICO CONSIDERA MULHERES

Antes de publicar qualquer texto aqui, costumo escrever em um editor de textos bastante conhecido enquanto faço a pesquisa. Note que no primeiro parágrafo, escrevi “criminosas impiedosas” e foi então que percebi duas linhas azuis sublinhando as palavras.

Além de rir, fiquei incrédula.

Aparentemente, é tão estranho associar “crime” e “impiedoso” ao feminino que até a máquina estranha.

Gramaticalmente, não há erro algum. O que existe, talvez, seja apenas o machismo estrutural e seus tentáculos invisíveis até no algoritmo.

[ALERTA GATILHO]

APAIXONADAS, ENFERMEIRAS & ASSASSINAS

Entre 1986 e 1987, o casal formado por Gwendolyn Graham e Cathy Wood assassinou pacientes do asilo onde trabalhavam em Michigan, nos Estados Unidos.

Segundo depoimentos posteriores, as duas alegavam que os assassinatos ajudavam a “aliviar a tensão” e fortalecer o relacionamento.

Havia ainda um jogo macabro envolvido.

Inicialmente, elas tentavam escolher vítimas cujas iniciais formassem a palavra murder (“assassinato”, em inglês). Como isso se mostrou inviável, passaram a contar cada morte como se fosse um “dia” da semana.

Em um poema escrito para Gwendolyn, Cathy declarou:

“Você será minha para sempre e cinco dias.”

Desfecho:

Gwendolyn Graham foi condenada a cinco sentenças consecutivas de prisão perpétua por assassinato em primeiro grau. Já Cathy Wood, que se declarou culpada, recebeu uma pena de 20 a 40 anos de prisão.

A CONDESSA SANGRENTA DA HUNGRIA

Conhecida como Elizabeth Báthory, a chamada “Condessa Sangrenta” foi acusada de torturar e matar centenas de jovens entre 1590 e 1610.

Segundo relatos históricos, ela acreditava que beber o sangue das vítimas ajudaria a preservar sua juventude e beleza.

Por se tratar de um caso extremamente antigo, as provas são difíceis de confirmar. Ainda assim, historiadores, como Michael Farin, apontam que mais de 300 testemunhos foram registrados na época.

Vale destacar que, atualmente, muitos consideram parte dessa narrativa misturada ao folclore húngaro, especialmente o elemento vampiresco.

Desfecho:

Báthory foi considerada responsável por 80 mortes e acabou confinada em seu próprio castelo, onde permaneceu até morrer em 1614, antes de enfrentar um julgamento formal.

ELA MATOU 400 BEBÊS!

Um dos casos mais perturbadores da história criminal envolve Amelia Dyer, conhecida como “a assassina de bebês” na Inglaterra vitoriana.

No final do século XIX, ela se aproveitou de um sistema chamado baby farming, prática em que mulheres recebiam dinheiro para cuidar de crianças indesejadas; muitas vezes filhos de mães solteiras que não tinham condições de criá-los.

Amelia prometia acolhê-los, mas na realidade matava os bebês pouco tempo depois de recebê-los.

Para evitar custos de criação e continuar lucrando, costumava estrangulá-los com fita ou afogá-los em rios. Estima-se que, ao longo de duas a três décadas, ela tenha assassinado cerca de 400 crianças.

O esquema começou a ruir em 1896, quando o corpo de um bebê foi encontrado no rio Tâmisa com um bilhete que levou as autoridades até sua casa, em Reading.

Presa no mesmo ano, Dyer confessou parte dos crimes e foi condenada à morte, sendo enforcada pouco depois.

NÃO, NÃO É A SCARLETT JOHANSSON

Muito antes da personagem da Scarlett Johansson nos cinemas, a verdadeira “Viúva Negra” já existia.

Nannie Doss envenenou pelo menos 11 pessoas entre 1920 e 1954, quase sempre motivada por seguros de vida.

Entre suas vítimas estavam quatro maridos, além de filhos, irmãs e outros parentes.

Seu primeiro casamento foi aos 16 anos, com Charley Braggs. A relação era conturbada: ele bebia muito e a sogra era extremamente controladora. Após duas filhas do casal morrerem por suposta intoxicação alimentar, Braggs fugiu com a filha sobrevivente e pediu divórcio anos depois, alegando temer a esposa.

O segundo marido, Robert Harrelson, também era alcoólatra e tinha antecedentes criminais. Mesmo assim, permaneceram casados por 16 anos.

Durante esse período, episódios estranhos começaram a surgir na família. Uma das filhas de Nannie perdeu um bebê prematuro após o parto — que havia sido auxiliado pela própria mãe. Em depoimentos posteriores, a filha afirmou ter tido a impressão de ver Nannie espetando uma agulha na cabeça do recém-nascido.

Pouco tempo depois, outro neto morreu em circunstâncias misteriosas.

Anos mais tarde, após uma noite de festa no fim da Segunda Guerra Mundial, Robert voltou para casa e violentou sexualmente a esposa. Revoltada, ela colocou veneno de rato em uma garrafa de whisky. Depois de beber, ele sofreu por horas antes de morrer.

O terceiro marido, Arlie Lanning, aparentemente morreu de insuficiência cardíaca. Mais tarde descobriu-se que a causa real foi envenenamento por arsênico. Após receber o seguro de vida, Nannie repetiu o método com a sogra e seguiu viagem.

Nem a própria família escapou: sua irmã, Dovie, foi encontrada morta após receber uma visita.

O quarto marido, Richard Morton, morreu poucos meses depois do casamento — também envenenado.

O quinto e último marido, Samuel Doss, foi internado com sintomas de gripe em 1953. Médicos identificaram posteriormente uma grave intoxicação digestiva. Na noite em que recebeu alta do hospital, Samuel morreu.

Desfecho:

Em outubro de 1954, Nannie Doss confessou os assassinatos. Durante o interrogatório, ao ser questionada sobre o arsênico encontrado nos corpos, começou a rir sem parar.

Foi assim que ganhou um segundo apelido:

The Giggling Granny — “A Vovó Risonha”.

São crimes bárbaros que, provavelmente, você nunca tinha ouvido falar. E isso levanta uma pergunta curiosa:

por que histórias como essas quase nunca entram no imaginário popular quando pensamos em assassinos em série?

Um beijo e um queijo!

Vejo você semana que vem!

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