Domingo, trabalho e felicidade

Essa semana teve comemoração da vida, vida da minha prima que completou 35 aninhos. Com essa idade cheia, sem números quebradinhos, eu aproveitei para ficar ali, durante a festa dela, refletindo sobre meu aniversário de 51 anos que se aproxima. Sem pieguice ou arrependimentos, estava de fato refletindo como contamos o tempo.

Pensei que já se vão quase quatro décadas do início do meu primeiro namoro, quase uma década da partida da minha mãe e da minha avó, mais de duas décadas dedicadas à docência e três ao jornalismo, e assim, contabilizando.

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Olhando para as pessoas que estavam conosco, vi meus sobrinhos que já cresceram, duas sobrinhas já se casaram e até sobrinha neta eu tenho, meu filho caminhando para a faculdade, meu cunhado com cabelos grisalhos, minha irmã com marcas do tempo que também estão em mim, e um sentimento de gratidão inundou meu coração.

Mas com esses pensamentos quase cinematográficos passando em câmera lenta na minha cabecinha inquieta, também vieram as memórias de tudo o que já fiz nesse meu meio século de vida. Eu mesma me espanto do tanto de coisas que contabilizo, de pessoas que conheci e se foram, outras tantas que apareceram e ficaram e as tantas outras que ainda virão. E novamente eu fiquei grata.

Mas o mais impactante, aquele momento que me tirou da minha contemplação foi um papo bom que eu estava tendo com uma querida festeira. Ela é aquela que organiza tudo, que faz a mágica da beleza cair sobre as mesas, que todos os detalhes saem dos seus pensamentos e viram realidade. Mesmo tendo uma vida louca, insana, cheia de trabalho, casa, marido, filhos etc. e tal, ela me disse assim: “domingo é meu dia sagrado, eu não faço nada. É o dia que eu tiro para ficar descalça, não tirar o pijama e me esticar no sofá, ou ainda receber o povo e ficar comendo, fazendo uma jogatina, meu marido dorme, depois volta, faz um café, e assim o dia passa”. E ela sorriu.

Na hora que eu ouvi isso, eu disse para ela que eu nem sei direito o que é um dia da semana sem fazer nada, sem um compromisso se quer. Eu pensei e disse: “eu trabalho todos os dias, todos os dias, inclusive domingo”. No meu instinto de defesa, se é que seres humanos o tenha, eu pensei que domingo é dia da minha coluna, que eu faço comida, faço isso, faço aquilo, todas formas de trabalho. Ao mesmo tempo, uma pontada de arrependimento me bateu e eu voltei para dentro de mim empertigada com essa sensação de não parar nunca.

Que sensação esquisita… Como se eu não pertencesse a mim mesma.

Daí me veio um sentimento que está me acompanhando desde o final do ano passado, quando os meus 50 ainda estavam se avizinhando. QUERO FAZER MENOS, MAS FAZER MELHOR.

Fazer menos está relacionado a ter tempo para mim, tempo para realizar coisa que estão em mim e que eu quero fazer, porque a vida também é sobre realizar desejos e sonhos, não só trabalhar e pagar boletos em um looping infinito… Fazer melhor é a certeza de entregar de mim o meu melhor, o resultado desses anos todos me construindo para ser a melhor pessoa e profissional que eu posso ser. Ah, e você acha que é isso e pronto?! ÓBVIO QUE NÃO.

Comigo, imaginar o fim e imaginar que estou paralisada é inconcebível, eu sou inimiga do fim. E aqui, eu te pergunto de forma estratégica: o que seria o fim? A morte, já que estamos envolvidos como clima do Dia de Finados que acontece hoje? O fim é fim de um ciclo para o início de outro? Eu sei lá! Só sei que fim não tem fim… Assim, aviso ao navegantes, continuo ON e contando.

E, sobre o título desse nosso papo, te digo: Domingo não é fim de semana, mas o primeiro dia da próxima, o começo. Trabalho só é pesado se te roubar o prazer, mas eu prometo diminuir meu ritmo aos domingos, respirar de verdade, mas continuarei firme e forte com minha coluna, mesmo que seja um trabalho.

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E a felicidade, Claudia? Essa eu te digo que está conosco todos os dias, conscientemente, se construindo dentro de nós, você tem que querer, por isso que é conscientemente, e não está pronta no fim do arco-íris, por isso tem que trabalhar por ela, mas que seja leve, entre sorrisos e coisinhas boas saindo do seu fogão, porque hoje é domingo, dia de comida boa, de descanso à tarde, de preparar a marmita para segunda.

Em tudo, lembre-se que FELICIDADE é uma construção e precisa de um tijolinho todos os dias.

Beijo da Linda para você, até a próxima.

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Um comentário

  • Elisabete da Conceição Amendoeira
    Responder

    Oi amiga Linda, bem verdade que espero sua coluna dominical. Mas eu concordo que precisamos sim de nos permitir um tempo para nós, não necessariamente tempo de fazer nada, mas tempo de fazer por nós, para nós. Assim como você já cheguei a meio século, aos 42 tive câncer e todos esses eventos me fazem repensar na importância de ser feliz, de me amar e de cuidar de mim. Concordo contigo quando diz que não sabe o que é parar ou desacelerar. Não precisa parar, basta mudar o foco das coisas que faz para aquilo que te dá mais prazer, passear, ler, deitar na rede preguiçosa para contemplar o dia.
    Assim que é… CARPE Diem pois somos ageless

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