Hoje é o Dia Internacional das Mulheres, mas não acho que seja um dia de comemorações, mas sim um dia para todas nós refletirmos sobre o que é ser mulher, quanto colocam sobre nós o peso da existência e tudo o que sofremos por simplesmente termos nascido.
Desde que eu era pequena, eu ouvia a música do Erasmo Carlos, Mulher, e no primeiro verso, quando ele diz que é uma mentira absurda a mulher ser o sexo frágil, eu já concordava e me indignava com essa conversa.
Muito me incomodava ver mulheres esquentando o umbigo no fogão e depois esfriando na pia. Eu sempre me coloquei como sendo aquela que queria ter as rédeas da minha própria vida e batalho muito para isso até hoje. Lógico que isso não nasce da noite para o dia, mas olhando as mulheres da minha família, minhas ancestrais que lutaram, brigaram, quebraram tudo somente pelo direito de serem respeitadas, eu entendo o porquê sou assim.
A minha herança veio em forma de mulher forte, mas isso tem um peso. A gente vive sobrecarregada, cheia de tarefas e afazeres, resolvemos sair de casa para não sermos as empregas domésticas da família, não por profissão, porque não tínhamos salário, mas por obrigação.
Eu não aceitava isso. Sempre achei que se a mulher decidisse cuidar da sua casa e de seus filhos, tinha que ser igualmente dividido com o progenitor, mas eu também muito ouvi, pela rua, que se a mulher quer sair de casa para ir trabalhar que seja igualmente ao homem, mas a realidade não é assim. Essa é uma postura machista disfarçada, péssima, cheia de anulação para a parte feminina da coisa.
Já na vida profissional, o que explica uma mulher trabalhar igual ou melhor do que os homens, ter mais qualificação, estudar mais que eles e ainda ganhar até 37% menos? É um jeito velado, que está arraigado na sociedade machista, que desvaloriza a mulher, porque assim ela não vira concorrência, porque se a gente entrar numa disputa justa com um homem, eles perdem.
É vil, é constrangedor, mas tem sido real.
Não vou entrar aqui nas questões ligadas ao despreparo de alguns homens em serem seres humanos dignos, respeitarem a existência da natureza humana e cometerem crimes contra as mulheres. Nem todo crime contra nós tem soco, faca ou arma de fogo, também tem a sobrecarga, porque eles se ausentam, tem a pressão psicológica, a violência velada que ninguém ouve, mas que causa estragos irreparáveis, violência contra o dinheiro dessa mulher que luta para ter um lugar ao sol, e nunca é só para ela, mas para seus filhos também, porque ela puxa a família inteira, sem um dia de descanso.
Na criação e cuidado com os filhos, uma mulher que cuida de seus filhos sozinha, porque foi negligenciada por seu, então, companheiro, é uma mãe. Um homem que cuida de sua prole sozinho, por si só, vira um herói. Por que essa diferença? Quem faz um filho tem que criar, e não é só responsabilidade da mulher, mas não acontece de fato.
Vemos mulher exaustas dormindo de pé no metrô, outras carregando o mundo e as mochilas nas costas e arrastando os rebentos pelas mãos, antes das 7 da manhã, para deixar todo mundo na escola e depois encarar um dia inteiro de trabalho, voltar para casa e dar conta da roupa lavada, guardada, casa limpa, comida no fogão, lição de casa etc. etc. e tal. Mas lembre-se, toda vez que você estiver de frente de uma mulher sobrecarregada tem um homem omisso por trás dela.
Aí eu te pergunto: quem é o sexo frágil mesmo?
Apesar de tudo, ser mulher é maravilhoso e eu desejo que você possa aproveitar não somente esse dia, mas todos da sua vida, nem que seja naqueles minutinhos que você consegue lavar o cabelo ou tomar um cafezinho em paz.
Homens, essa reflexão não é contra vocês, mas em favor das Mulheres.
Mulheres, abracem-se mais, cuidem mais uma das outras, estejam uma apoiando a outra sempre, assim ficamos mais fortes.
Em tudo, lembre-se que FELICIDADE é uma construção e precisa de um tijolinho todos os dias para ela acontecer.
Beijo da Linda para você, até a próxima.
Dia da Mulher é dia de refletir sobre respeito, admiração e luta
Por Claudia Cruz
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8 de março de 2026

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